Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Fontes de Luz

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2013-12-22 às 06h00

Carlos Pires

1. Desde já alerto os meus estimados leitores de que o texto que se segue é da autoria de uma pessoa que (finalmente) está confiante no futuro. Daí que, para todos aqueles que aqui anseiam encontrar palavras carregadas de azedume, mal dissência ou choradinho bacoco, o mais que eu posso fazer é aconselhá-los a virarem desde já a página do jornal.
Neste momento muitos devem estar a pensar: que pastilhas de otimismo terá tomado este tipo? Ou será que é fruto do espiríto natalicio e do ‘jingle bells’ a ecoar nos ouvidos?

Passo a explicar: há dados concretos, que presencio no dia a dia, quer na minha atividade profissional quer na vivência da sociedade, e que me permitem concluir que - timidamente, é certo - as coisas estão a melhorar e que há razões para reforçarmos os sinais de esperança. É verdade que muitos dos nossos nacionais fugiram para outras paragens, em busca da ‘terra prometida’, mas aqueles que ficaram mostraram e mostram não querer ‘baixar os braços’, muitos criando o ‘próprio negócio’ (alguns de claro sucesso!), o que lhes tem permitido ‘manter a cabeça à tona’, proporcionando a muitos outros o tão desejado emprego. A prova de que são aqueles que revelam audácia, coragem e espírito construtivo, que conseguem ultrapassar as dificuldades e obstáculos, que conseguem reinventar-se!

Por outro lado, os próprios dados publicados recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) parecem confirmar tal premissa: a atividade económica cresceu pelo segundo trimestre consecutivo (0,2% no terceiro trimestre face aos três meses anteriores, confirmando assim a segunda variação positiva do PIB e interrompendo o ciclo de recessão. Ainda, não obstante a constatada desaceleração das exportações, assiste-se a uma diminuição menos acentuada do consumo privado. Sim, a retoma está a querer ganhar terreno, mas o processo de ajustamento em curso, que é necessário, ainda continuará por algum tempo.

A Irlanda despediu-se da Troika no passado domingo, com quem esteve relacionada desde Dezembro de 2010. Um caso de aparente sucesso e que nos deve de igual forma motivar, uma vez que, apesar das devidas diferenças, houve e há, de igual forma, alguns pontos semelhantes com a realidade portuguesa: buraco nas contas públicas, aumento do desemprego e da emigração.



2. O ano de 2013 está a terminar e, em altura de balanço, o Papa Francisco foi considerado a 'pessoa do ano' para muitas revistas e publicações de referência interna- cional, distinção que é justificada com o facto de ter dado 'tanta esperança e inspiração às pessoas ao longo destes nove meses'. Na revista Time lê-se: 'Mais ninguém fez isso este ano’, ‘Tem uma energia que não se percebe de onde vem’.
O Papa celebrou na terça-feira passada 77 anos e convidou quatro sem-abrigo a assistirem à missa da manhã, nas suas instalações privadas. Um deles levou, inclusive, o seu cão. Durante a homilia, Francisco referiu-se aos seus convidados e, depois da missa, tomaram o pequeno-almoço todos juntos.

A mensagem mais forte do Papa tem sido sobre a pobreza; preocupa-se sobretudo com os pobres. Anda a abraçar pessoas que a maioria de nós não quereríamos sequer tocar, anda a lavar os pés a reclusos, a interceder por imigrantes e pelos carenciados.
O Papa Francisco foi o primeiro Papa do novo mundo, o primeiro da América Latina. Curiosamente, o mundo, já em finais de 2013, despediu-se do homem que, desde outro ponto recôndito do planeta, a África do Sul, deu a todos uma lição de vida - Nelson Mandela: o homem que perdoou décadas de humilhações e que procurou a reconciliação, com os valores da igualdade, liberdade, justiça, mostrando que é mais o que nos une do que o que nos separa.

Mandela tornou-se irremediavelmente um dos mais fortes símbolos de luta e de esperança que a humanidade conheceu. O seu nome será imortal nas nossas memórias porque a sua obra atingiu dimensões que o tempo jamais apagará. No momento em que Portugal vive momentos de dificuldade - económica e de valores - o exemplo de Nelson Mandela faz-me pensar que não tivemos nem temos um grande 'Madiba' para nos guiar. Mas também me faz acreditar que é possível mudar.

Para todos, um Santo Natal e um Bom Ano Novo 2014! Devemos acreditar que celebramos o início de um novo e mais positivo ciclo. E, à imagem e semelhança dos exemplos do Papa Francisco e de Mandela, que temos a capacidade de mudar de rumo, de não cruzar os braços e de procurar novas alternativas. Sem esquecer a solidariedade a que estamos obrigados com os mais necessitados. São estes os meus votos.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.