Correio do Minho

Braga, terça-feira

França, Horizonte de Esperança

Ser de Confiança

Ideias Políticas

2012-05-09 às 06h00

Pedro Sousa

Após um período em que se verificou uma diminuição dos juros da dívida nos países europeus, nomeadamente nos países periféricos, devido a uma injecção de cerca de 1 bilião de euros por parte do BCE na banca europeia, tem-se verificado, ultimamente, uma deterioração da situação económica europeia, com um aumento dos juros das dívidas das economias periféricas e uma diminuição do investimento e dos lucros das empresas europeias. A cavalgada dos juros da dívida espanhola, em particular, levou já a previsões que indicam que o pedido de resgate espanhol é uma questão de tempo.

Portugal não é alheio aos problemas que se têm vindo a agudizar no seio da Europa, visto que estamos inseridos na Zona Euro e 80% das nossas exportações têm como destino países da UE, principalmente a Espanha, e, como se sabe, neste momento, as exportações têm sido o único motor da nossa economia. Abebe Selassie, chefe da missão do FMI em Portugal, veio já dizer que, apesar das medidas implementadas, os mercados continuam desconfiados de Portugal e já coloca a hipótese de estender por mais um ano o programa de ajustamento caso a recessão aumente acima do previsto.

Está, assim, mais que provado que a receita de austeridade em cima de austeridade por si só não basta, pois só aumenta ainda mais a recessão e o desemprego, necessitando de ser acompanhada de medidas de estímulo económico.

Só como exemplo, os EUA acompanharam a austeridade com medidas de estímulo à economia, colocando a Reserva Federal a emitir moeda e a injectar dinheiro nas economias dos Estados em maiores dificuldades e intervindo o próprio Estado na economia, sobretudo no sector automóvel, que voltou a apresentar lucros. Esta receita levou os EUA a encontrar o caminho do crescimento económico e da diminuição do desemprego. Para além disso, Obama veio anunciar, na semana passada, que vai aproveitar a poupança com a retirada das tropas americanas do Afeganistão, em 2014, para aumentar o investimento público na economia.

Contudo, há uma esperança que esta Europa à deriva possa encontrar de novo a rota que a irá tirar da crise e conduzi-la à prosperidade. O motor dessa esperança é a vitória que François Hollande conseguiu agregar no Domingo, fruto de uma proposta política concreta que apresentou durante a campanha, mostrando-se contra a política seguida pela UE de combate à crise, defendendo a emissão de moeda por parte do BCE, de modo a injectar dinheiro nas economias dos países em dificuldade, e a implementação de medidas de estímulo económico para combater o desemprego e promover o crescimento económico.

Hollande, apontou mesmo uma estratégia de investimento à escala europeia em áreas como a investigação, o ensino universitário e as energias renováveis. Segundo Hollande, esse investimento deve ser financiado pelos países mais ricos, como por exemplo os nórdicos, a Alemanha e a França. Esta sua estratégia de financiamento é intrínseca a um dos princípios funda-dores da UE, que passa pela solidariedade das grandes economias para com as mais pequenas e, assim, construir uma Europa mais próspera, mais progressista e mais desenvolvida.

O “efeito” François Hollande já se faz sentir na Europa, acalorando o debate sobre a necessidade de implementação de medidas de estímulo económico, levando a própria Comissão Europeia a anunciar um plano de injecção de 200 mil milhões de euros nas economias em dificuldades, que é insuficiente, mas representa já uma mudança na atitude de combate à crise.

A juntar a isso, também os recentes resultados nas eleições estaduais alemãs, em que o partido de Merkel sofreu uma clara derrota, representa uma esperança no futuro da Europa.
O desmantelamento do eixo Merkozy, que nos últimos anos suportou esta política errada de combate à crise faz crer que o futuro será melhor. Assim espero. A bem de todos.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.