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Gastrite – quando o estômago não dá descanso

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Gastrite – quando o estômago não dá descanso

Voz à Saúde

2019-09-03 às 06h00

Joana Afonso Joana Afonso

A Gastrite corresponde à inflamação do revestimento interno do estômago que é responsável pela produção de substâncias cruciais ao processo de digestão. Trata-se de uma condição clínica muito frequente.
As Gastrites podem ocorrer subitamente designando-se por Gastrite Aguda sendo, frequentemente, o resultado do efeito nocivo de químicos como medicamentos (anti-inflamatórios não esteroides, corticoides), de álcool ou cocaína, da exposição a radiações nocivas, de agentes infeciosos como vírus ou bactérias ou ainda dos níveis aumentados de stress e ansiedade. Quando a gastrite se desenvolve lentamente ao longo do tempo, podendo quase nem dar sintomas, designa-se por Gastrite Crónica, sendo esta a forma mais comum de apresentação. Na ausência de tratamento esta condição pode perdurar por largos anos ou mesmo para toda a vida. A inflamação crónica da mucosa do estômago pode levar à sua alteração (atrofia) com perda das suas estruturas e função, proporcionando o aumento do risco de formação de úlceras e, ainda, da possibilidade de desenvolvimento de cancro do estômago. De salientar que esta forma de cancro representa um problema de saúde global com uma elevada taxa de incidência e mortalidade, sendo os números superiores a nível da população da região Norte do nosso país, afetando 13 em cada 100 mil habitantes, um número muito acima dos restantes países europeus.

Um dos principais responsáveis pelo aparecimento da Gastrite Crónica é a atividade da bactéria Helicobacter pylori que atinge cerca de 80% da população português, podendo não desencadear qualquer sintoma. Estima-se que, cerca de 50% das crianças, aos 8 anos de idade, estejam já colonizadas por esta bactéria. Pode, também, surgir no contexto de doenças auto-imunes, queimaduras extensas, após grandes cirurgias ou no âmbito da presença de refluxo biliar.
Quando os sintomas estão presentes são descritos como dor ou desconforto na região central do abdómen superior, enjoos e/ou vómitos, distensão abdominal, sensação de queimor, enfartamento com dificuldade em completar o processo de digestão. De referir que, a presença de sangue no vómito ou nas fezes pode indiciar a presença de complicações, requerendo uma avaliação médica ainda mais atempada.

Em caso de suspeita não hesite em procurara ajuda do seu Médico Assistente. O diagnóstico da doença é, essencialmente, estabelecido após a realização de uma endoscopia digestiva, complementada com a realização de biopsia (recolha e análise de pequenas amostras da mucosa do estômago). Exames radiológicos, análises de sangue e fezes e testes para identificação da presença da bactéria Helicobacter pylori são exames complementares, por vezes úteis no diagnóstico e abordagem dos diferentes quadros.
O tratamento da Gastrite passa, frequentemente, pela necessidade da toma de medicamentos que diminuam e protejam da produção de ácido no estômago, do cumprimento de um regime de antibioterapia para erradicação da bactéria, quando indicado, e, se presente, pelo controlo dos quadros de hemorragia. Cabe ao seu Médico a seleção do tratamento mais adequado.

De forma a prevenir o aparecimento de gastrite saiba que: deve comer de forma fracionada, várias vezes ao dia, em pequenas quantidades; deve moderar o consumo de álcool; deve evitar alimentos picantes, ácidos ou ricos em gordura; deve procurar controlar os seus níveis de stress e ansiedade; deve manter condições de higiene e sanitárias adequadas, com gestos simples como a lavagem frequente das mãos; deve evitar o consumo de medicamentos sem prescrição médica.
Lembre-se, cuide de Si! Cuide da Sua saúde!

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