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Generosidade q.b.

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Generosidade q.b.

Escreve quem sabe

2024-04-21 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Ser generoso/a em demasia pode ser um problema. A empatia é fundamental  e está  intrínseca á ética e á moral, todavia em excesso, pode prejudicar aquele/a que prioriza sistematicamente outras pessoas e não a si próprio/a e pode ainda transmitir a ideia errada para aquele/a que é ajudado/a que poderá solicitar sempre a ajuda, ou disponibilidade quando quiser, "bem entender" e o que pretender. Também é verdade que por vezes aquele que é generoso/a prejudica-se até ao ajudar outras pessoas que provavelmente não o fariam por si e corre até  o risco de escutar  algo deselegante como por exemplo, “ Eu não te pedi nada. Não te pedi para fazeres isso." Geralmente quem não  tem a mesma reciprocidade de generosidade não expressa através de um discurso direto, mas sim através de uma linguagem subjetiva, como por exemplo, “Ando com dificuldades em resolver isto, não sei como devo fazer...”.
Acontece que aquele/a que é ajudado nem sempre “dá” o devido valor a quem é generoso/a. E o excesso de generosidade pode criar dependência. Dependência essa  que se em algum momento  não conseguir ajudar essa pessoa  poderá ficar zangada/o consigo. Por detrás de excesso de generosidade está a “vontade de agradar”. E porque se agrada? A necessidade de ter alguém por perto, mesmo que não sejam as “melhores pessoas”. No entanto, ao contrário do que se possa pensar, essas pessoas não estão dispostas a dar da mesma forma que recebem. Não significa que quando alguém ajuda, deva receber em troca, mas sim haver reciprocidade emocional, no sentido em que, mais do que os bens materiais o suporte emocional é muito mais relevante. O ser preocupado/a, a atitude de disponibilidade, a amizade sincera e verdadeira, a compreensão. Seguem -se algumas considerações que deve ter em atenção para uma generosidade numa visão mais racional do que emocional. Em primeiro lugar deve perceber o que o/a faz ser demasiado prestativo/a para as pessoas. Na sua infância, houve negligencia emocional que o/a faz agarrar-se às pessoas, mesmo que perceba que não são “as melhores companhias” para si? Se a resposta for afirmativa, não permaneça ao pé de pessoas que não acrescentam e que só “lhe tiram” valor de ser boa pessoa, denominada na linguagem popular de “pessoas que se aproveitam da boa vontade dos outros.” Boas pessoas merecem estar rodeadas de boas pessoas, que estejam igualmente disponíveis para si como você está para as mesmas. Mesmo que receie ficar sem amizades, é apenas temporário. Pessoas vão e outras vem. Num segundo aspeto, faça apenas o que pode e não o impossível que o/a possa prejudicar. Todas as pessoas têm problemas e embora possamos ajudar, há caminhos que devem ser apenas percorridos por essas pessoas.  Num outro ponto, se alguém exigir de si sempre a resolução de situações/ problemas e mostrar pouca recetividade diante da sua partilha dos seus problemas é alguém que não tem a mesma visão de generosidade. Não será talvez a pessoa mais indicada para o/a acompanhar. Num último aspeto, por vezes, ser mais racional e analítico/a e não  mostrar uma disponibilidade total, pode ser entendido como sinal de credibilidade e de valor para algumas pessoas. Neste sentido é dado “mais valor” aquela pessoa que muitas vezes numa primeira abordagem se mostra indisponível em ajudar.
Impor limites não significa que seja má pessoa ou egoísta. Impor limites é a sua valorização pessoal  enquanto pessoa diante de situações e pessoas que lhe podem prejudicar o seu bem-estar físico e mental.

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