Correio do Minho

Braga, sábado

Geringonça

O nível de vida português pode ser ultrapassado pelos países do leste europeu

Ideias Políticas

2016-10-04 às 06h00

Hugo Soares

A solução de governo a três que saiu do Parlamento e que fica para a história como “geringonça” está praticamente a celebrar um ano de existência. Muitos achavam que não durava seis meses, outros - poucos - acreditam que faltam mais três.
Sou dos que achava que à primeira dificuldade a geringonça se desconjuntaria. A verdade é que esta maioria de esquerda transformou cada dificuldade da governação em oportunidades ideológicas. Sim, optou por fugir à realidade, escolhendo a ideologia. E isto porque nunca encarou o exercício da governação como aquele que deve colocar os interesses da comunidade acima de quaisquer outros e que tantas vezes obriga as escolhas e opções que são menos populistas aos eleitores.

A geringonça para não se desconjunturar torneou os problemas empurrando com a barriga para frente (infelizmente para um prazo muito curto e com uma fatura muito pesada). A verdade é esta: hoje o BE e o PCP estão de parabéns. É certo que aqui e ali foram engolindo uns pequenos sapos que a sede de poder obriga; mas estão de parabéns porque não foram estas forças partidárias que se moderaram ou perderam a coerência.

O PCP e BE têm uma agenda ideológica a implementar e para isso estão disponíveis para esconder na gaveta o protesto. Assim fizeram uma espécie de “OPA” sobre o PS e este é que se radicalizou. Ademais, com os sindicatos fingidos de mortos (com o caos nos hospitais, na escola pública e nos transportes parece que o sindicalismos português foi de férias até novas núpcias que é como quem diz até novo governo…), o BE e o PCP não têm grandes problemas: o PS faz tudo o que eles exigem. E é por isso que cada dificuldade é uma oportunidade ideológica de implantarem o seu projeto de sociedade e o PS serve de barriga de aluguer.

E vale a pena concretizar com exemplos concretos não vá o leitor achar exagero sectário: quando António Costa cita Marx em plena Assembleia da Republica para dar conta do seu modelo de sociedade ideal afaga a alma do PCP e assusta os portugueses mais atentos; quando António Costa aceita criar um imposto sobre património (porque a poupança tem que ser taxada) ou quando aceita liberalizar o voyeurismo sobre as contas bancárias dos portugueses está a concretizar as políticas bloquistas de criar uma sociedade de inveja e de nivelamento por baixo.

Ora, enquanto a geringonça não se desconjuntura o país segue o rumo completamente errado. E a realidade impor-se-á inexoravelmente. Quando as exportações abrandam; quando o consumo desce; quando o investimento desaparece; quando a economia estagna; quando os serviços públicos vivem estrangulados; quando os impostos aumentam; quando o Primeiro-Ministro assobia para o ar e diz que nada disto existe e que é tudo da cabeça da oposição agoirenta; quando os partidos de protesto aplaudem encantados pelo líder que já é deles e não do PS; quando tudo isto acontece vivemos o cenário perfeito para esbanjar os sacrifícios - e foram tantos! - feitos pelos portugueses. E o que mais irrita é que nada disto era necessário. Nada. Se não se tivesse invertido o caminho - no fundo se deixassem prosseguir a governação quem ganhou as eleições - hoje Portugal estava certamente num caminho de convergência com os seus parceiros europeus. Assim, o caminho é de convergência com… a Grécia.

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