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Guerra nuclear

Voz aos Escritores

2022-09-30 às 06h00

Fabíola Lopes Fabíola Lopes

Será? Levamos a sério ou não? No início deste ano civil era inimaginável o terror que foi desfiado desde Fevereiro. Ninguém julgava possível e o inominável aconteceu. Vidas desfeitas e um rosário de atrocidades. Os planos desimportantes num minuto, idosos, mulheres e crianças a correrem fronteiras, os corpos sobrepostos cobertos de terra sem identificação.
Agora esta ameaça de menino minado que não sabe perder. Assumir um erro de cálculo ou estratégico, adaptar narrativas e aviar referendos, uma ladainha manhosa com que fundo de verdadeira explosão? Agora são homens a passar fronteiras, a fugir do horror, de uma guerra em que não acreditam e não faz qualquer sentido. Haverá alguma que faça? 
Vale a pena fazer planos? Acreditar que é mais um delírio ou levar a sério? E de que adianta?

Entretanto ouço a nova (velha!) música do António Variações pela voz da Marisa Liz. Tanto sentido e tão oportuno. Como é possível estar tão actual? Em sintonia perfeita com o tempo de hoje porque a memória é fugaz e a História é cíclica por isso mesmo. Porque esquecemos e não aprendemos e não aprendemos porque esquecemos.
E esquecemos porque gostamos de esquecer. De limpar, lavar, varrer, fazer de conta que não foi bem assim ou que foi lá atrás e hoje o tempo é outro. Escamotear. Deixamos o tempo passar e maquilhar-se de novas linguagens. Mas o tempo é antigo, nascido antes da existência e as suas barbas enrolam-nos e enredam-nos. E é difícil esfiarmos e definirmos os seus contornos.

O António, menino de Fiscal, não teve vergonha da sua origem rural, da sua família humilde e religiosa. Usava a maquilhagem para o rosto, para o físico, não para ser quem não era. Num Portugal fechado, António sonhava com abertura, com urbanismo, com música, com liberdade. Com aceitação. Com paz. Descobriu-se e assumiu-se, na sua miríade de seres e de espelhos vertida em arte. Quanto mais de Variações haverá para descobrir e encantar?
Em 2022 Amares não tem um museu ou um espaco museológico, uma casa, sobre o António. Talvez não erre ao dizer que é a personalidade com mais destaque do século XX daquela terra, com mais obra transversal a tantas gerações. E não é por falta de artigos, evidências, objectos ou testemunhos. A música dele não se esgota no tempo e no entanto é testemunha da sua humanidade e atemporalidade. Há álbuns, há estudos, há investigação, há artefactos, jornais e fotografias, há um filme e vários livros.
Será que é Amares que tem vergonha do António?

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