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Há Cultura

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Há Cultura

Ideias

2019-10-24 às 06h00

Leonel Rocha Leonel Rocha

A descentralização é um conceito generalista que integra a esmagadora maioria dos discursos políticos e institucionais da atualidade. Nem sempre com a devida correspondência e resultados. Fica bem defender a descentralização, concorda-se genericamente com os seus virtuosismos, mas, depois, a prática revela a manutenção de um “status quo” enquistado e pouco dado a concessões. Esta é uma realidade transversal a toda a administração púbica e de todas as áreas.
Consciente de que a mudança deste paradigma é uma longa caminhada e que esta só será concretizada se houver a decisão de se dar passos concretos, no território de Vila Nova de Famalicão e no campo da Cultura avançou-se, em junho do corrente ano, com a implementação do projeto “Há Cultura”, concretizando-se numa programação regular a partir do corrente mês de outubro.

Trata-se de um processo que integra a perspetiva de que a Cultura é um dos elementos que contribuem para a alavancagem do desenvolvimento integrado do território. Este desenvolvimento não é apenas o económico, como muitas vezes há a tentação de se pensar.
O “Há Cultura” já está no terreno. O “Há Cultura” estende-se a todo o território municipal, favorecendo a formação de novos públicos, a capacitação de agentes locais, a promoção do acesso à fruição cultural e a criação de novas dinâmicas culturais locais. Procura levar a cultura próximo das pessoas, numa lógica freguesia a freguesia, envolvendo os “governos” das Comissões Sociais Interfreguesias, fomentando a necessidade de consumir mais cultura e maior sensibilidade para as artes.

Desenvolvido por uma equipa municipal e pelos agentes e coletividades culturais presentes no seio das 10 Comissões Sociais InterFreguesias (CSIF) do concelho de Vila Nova de Famalicão, este projeto consegue assim uma descentralização cultural efetiva, socorrendo-se em primeiro lugar das coletividades culturais e dos artistas locais, promovendo a respetiva qualificação com o contacto entre os agentes culturais amadores e os profissionais das artes, promovendo a mobilidade cultural dos agentes locais, levando as suas criações a outras freguesias e complementando a programação com outras ações que não existam nos territórios.

É preciso ir ao encontro das pessoas e desafiá-las a nível cultural, porque muitas ainda não têm construídos hábitos de consumo de cultura. Creio que só quem tem hábito de consumir cultura está disponível para reclamar e aproveitar mais oportunidades culturais e só assim poderá aventurar-se na cocriação cultural, integrando projetos e iniciativas nos seus territórios, acentuando a dinâmica descentralizadora. Isto é, aliás, o que se pretende com os projetos culturais comunitários que se estão a promover, como podemos ver no “Aldeias em Festa”, na CSIF de Bairro, Delães, Ruivães/Novais e Carreira/Bente; e no “Atear Histórias”, desenvolvido e apresentado na CSIF de Riva de Ave, Pedome, Oliveira São Mateus, Oliveira Santa Maria e Castelões.

Existe já uma agenda cultural própria e construída com os valores das CSIF. A adesão das instituições e das pessoas às iniciativas está a corresponder e até a superar as expectativas.
Mais do que uma volátil satisfação, creio que a dinâmica do “Há Cultura” resultará em benefícios não somente para o território de Vila Nova de Famalicão, como poderá tornar-se num movimento cultural dinâmico de efeitos, porventura, regionais.
A programação do “Há Cultura” pode ser acompanhada na página oficial de Facebook do Famalicão Comunitário (www.facebook.com/famalicaocomunitario).
No Território de Vila Nova de Famalicão “Há Cultura”!

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