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Quem me dera voltar a ser Criança

Voz às Escolas

2015-11-19 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

A última semana, no Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio, foi marcada por acontecimentos dignos de registo, se tivermos em conta que, de uma ou de outra forma, cada um deles foi o coroar do trabalho de excelência de uma Comunidade Escolar que abre mão do estado de frustração, resultante da implementação de medidas que em nada incentivam os profissionais de educação, para dar o seu melhor em prol dos alunos e da sua formação, uma formação que continuamos a defender que deve ser integral, sem que com isso pretendamos substituir o papel da família.
Na passada terça-feira, conforme foi noticiado em alguns órgãos de comunicação social, o Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, fazendo-se acompanhar da Vereadora da Educação, deslocou-se à Sede do Agrupamento, a Escola EB2,3 Professor Gonçalo Sampaio, com o objetivo de se inteirar, in loco, das necessidades de intervenção nas instalações de uma escola que, no corrente ano letivo, comemora o seu 45º aniversário.
A visita poderia ter sido mais uma, das muitas que foram feitas com o mesmo objetivo, não fosse a comunicação da decisão de realmente intervir, através de fundos aos quais a autarquia se candidatou, a que acresce o montante de 350 000 euros, contrapartida do município para a referida intervenção. Segundo as palavras do Presidente da Câmara, falta apenas o aval do MEC para que o processo seja posto em marcha, tendo em conta que as instalações da Sede do Agrupamento são propriedade do Estado.
Seria desonesto da minha parte não partilhar a dualidade de sentimentos que me assolaram com a notícia, uma vez que, se por um lado senti vontade de cantar por alguém ter sido sensível ao principal problema com que nos debatemos, e pela resolução do qual me tenho batido ao longo de muitos anos, por outro lado, e enquanto representante do MEC para a liderança do Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio, não pude deixar de sentir, já não a revolta que tornei pública, mas a frustração pelo facto da distância entre o poder central e os seus mais pequenos representantes ser cada vez mais acentuada.
Mas, acima de tudo, tenho que continuar a pensar na escola que represento e que defendo e agradecer, em nome da Comunidade que represento, ao Senhor Presidente da Câmara Municipal por, numa visão estratégica digna de registo, ter decidido fazer o que é justo ser feito - dar melhores condições para a promoção do sucesso aos alunos da EB2,3 Professor Gonçalo Sampaio, povoenses que merecem ser respeitados.
Nesse mesmo dia, durante a tarde, na cidade de Guimarães, mais propriamente no Plataforma das Artes, foi assinado um Protocolo do Consórcio que envolve 7 escolas da CIM do Ave, entre as quais se encontra o Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio, tendo como objetivo promover a mobilidade dos alunos para fins de aprendizagem, o que lhes permitirá realizar estágios de três meses em outros países da Europa. Trata-se de um projeto no âmbito do Programa Erasmus + de que a CIM do Ave é entidade promotora.
Com a qualidade do trabalho que tem sido desenvolvido pela Comunidade Escolar no âmbito da formação vocacional e da participação em projetos europeus, não há dúvidas quanto ao impacto da assinatura do referido protocolo junto dos professores e dos alunos.
Ainda no decurso da semana, estando prevista a realização de uma videoconferência de acompanhamento do Projeto Fénix, cuja Rede o Agrupamento integra, ao ter conhecimento de que na mesma participariam cerca de 60 docentes, a Coordenadora Nacional do Programa Mais Sucesso Escolar decidiu, no próprio dia, deslocar-se ao Agrupamento e participar, pessoalmente, numa reunião de trabalho que, apesar de ter sido algo controversa quanto às linhas orientadoras subjacentes à nova metodologia do projeto, permitiu uma nova reflexão em torno das questões do sucesso escolar, e veio reforçar o sentimento que há muito alimento e a que, reconheço, tenho dado pouca voz, ou não o tenho feito com a assertividade merecida - os professores deste Agrupamento têm trabalhado muito para além do expectável, tendo em conta as condições anímicas em que todos os profissionais da educação trabalham, a que acrescem as condições precárias ao nível dos recursos humanos e físicos com que tantas escolas se debatem.
É de toda a justiça que reconheça, publicamente, o seu profissionalismo, a sua dedicação e a sua total entrega na luta pela promoção do sucesso escolar dos alunos. Mas talvez o nosso erro esteja em não sermos capazes de deixar para trás aqueles que, à priori, não alcançariam qualquer sucesso, convictos de que todos podem ter sucesso, só as margens de sucesso é que variam. Por isso, aqui fica o agradecimento aos professores, que tão orgulhosamente represento, pelas margens de sucesso que temos alcançado.
E se a correspondência entre o investimento que fazem e as vitórias alcançadas, ao nível da promoção do sucesso, não é, ainda, a desejada, lembremo-nos que “Os milagres acontecem devagar”.

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