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Heróis na sombra

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Heróis na sombra

Voz às Escolas

2020-01-16 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

O funcionamento de qualquer organização é regido por objetivos definidos em função dos princípios orientadores que persegue, perspetivando o cumprimento de uma determinada missão.
No caso das organizações escolares, e especificamente do agrupamento que lidero, a ação da escola assenta em três grandes objetivos, consubstanciando as dimensões pessoal, das aquisições básicas e intelectuais fundamentais e da cidadania.
Numa primeira análise, depreender-se-á que a ação da escola ultrapassa o domínio dos conhecimentos para abarcar, também, a formação global, a qual, não desmerecendo a concretização das aprendizagens, enfatiza, em plano de equidade, a interiorização de valores cívicos e humanos e a prática de comportamentos e de atitudes assertivas.

E se para a prossecução bem sucedida de tão ambiciosos objetivos se requer um esforço partilhado e articulado entre a escola e a família, talvez devêssemos parar e olhar a escola também sob um outro prisma, analisando o papel e consequente impacto da ação de cada um dos agentes educativos na formação integral dos alunos.
Muita tinta tem corrido sobre a importância e a imprescindibilidade dos professores o que, por muito que se escreva, nunca será o suficiente, sobretudo numa época em que, por circunstâncias que não vêm ao caso, neste momento, lhes passaram a ser assacadas responsabilidades sobre a derrocada da sociedade em que vivemos.

No entanto, se olharmos a escola, no seu todo, analisando, em consciência, o contributo de cada agente educativo para o sucesso da organização escolar, sucesso esse que evidencia o resultado do investimento feito em prol de melhores aprendizagens e da promoção de atitudes responsáveis, teremos que concluir que, embora a ação dos professores seja um factor determinante, na sombra atua um grupo de agentes educativos que acaba por ser desvalorizado, mas de que o referido sucesso também depende.

Os assistentes operacionais e técnicos são, sem quaisquer dúvidas, os parceiros por excelência na missão de uma escola que se autoproclama de inovadora e aberta à mudança, em que os valores de cidadania são priorizados e as respostas educativas ajustadas às capacidades e aos ritmos de aprendizagem dos alunos, na defesa de uma escola verdadeiramente democrática e inclusiva.
Cabe-lhes o acompanhamento e integração dos alunos na comunidade escolar, incentivando o respeito pelas regras de convivência, promovendo um bom ambiente educativo e contribuindo, em articulação com os professores, para prevenir e resolver problemas comportamentais e de aprendizagem.

Atenta aos deveres que lhes são atribuídos, e consciente da realidade, questiono-me, muitas vezes, sobre a forma gratuita como é desvalorizada a sua ação, desvalorização essa patente nos ratios existentes e nas condições em que trabalham, em tudo contrárias ao grau de responsabilidades que lhes são atribuídas.

Do mesmo modo, quando dou comigo a tentar perceber qual o sentido de algumas normas, ciente de que tudo tem uma intencionalidade, embora muitas vezes camuflada, tento abstrair-me porque não encontro respostas plausíveis para factos tão reais como o de, atingido o tempo para se aposentar, um assistente operacional estar condenado a viver com um montante tão irrisório como aquele a que tem direito, após ter dedicado toda a sua vida a colaborar na formação daqueles que, um dia, decidirão qual o equivalente financeiro para uma vida de trabalho, um trabalho bem mais duro do que muitos possam imaginar.
Sem professores não há escola. Indiscutível.
Mas não quero sequer imaginar uma escola sem funcionários, em Portugal.
Ou será que ainda há quem pense que a escola, com tudo quanto lhe é exigido, pode cumprir a sua missão sem aqueles que, na sombra, são, tantas vezes, o suporte dos professores, contribuindo para uma sociedade que todos desejamos mais respeitadora dos direitos de todos e de cada um?
Faço votos de que 2020 seja um ano de viragem, em que os direitos dos assistentes operacionais e técnicos sejam, finalmente, reconhecidos.

Um Bom Ano!

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