Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Horizonte Europa aposta na criação do Conselho Europeu de Inovação

O CODIS fala

Ideias

2018-09-29 às 06h00

Vasco Teixeira

AInvestigação e a Inovação são fatores cruciais para o êxito, para o crescimento sustentável e para se manter a competitividade a nível mundial das empresas na União Europeia.
A aposta no investimento no conhecimento científico e na inovação tem-se revelado uma importante alavanca para o crescimento socioeconómico e o desenvolvimento sustentável. Segundo dados da Comissão Europeia, cerca de dois terços do crescimento económico da Europa nas últimas décadas foram impulsionados pela inovação.
Inovação Aberta, Ciência Aberta e abertura ao mundo são os três principais objetivos da política de investigação e inovação da UE, estabelecidos pelo Comissário Carlos Moedas. Na Inovação Aberta o objetivo é abrir o processo de inovação a pessoas com experiência noutros domínios para além do mundo académico e científico.
Ao incluir mais pessoas no processo de inovação, os conhecimentos circularão mais livremente. Estes conhecimentos poderão depois ser utilizados para desenvolver produtos e serviços com potencial para criar novos mercados. A Ciência Aberta liga-se a uma abordagem do processo de investigação científica que se centra na difusão do conhecimento (acesso gratuito) logo que este fica disponível através do recurso a tecnologias digitais e colaborativas.
Designa-se por Horizonte Europa (Horizon Europe) o novo programa-quadro para apoio à investigação científica e à inovação na União Europeia no período 2021-2027. O atual Programa-Quadro Comunitário de Investigação e Inovação, que se designa Horizonte 2020 (em vigor desde 2014 até 2020) com um orçamento global superior a 77 mil milhões de euros é o maior programa de financiamento de ciência e inovação a nível mundial e é o maior instrumento da União Europeia especificamente orientado para o apoio à investigação, através do cofinanciamento de projetos de investigação, inovação e demonstração.
O novo programa Horizonte Europa (2021-2027) deverá ter uma dotação financeira de 100 mil milhões de euros, segundo a proposta apresentada pela Comissão Europeia. Será, de facto, o mais ambicioso programa de apoio à Investigação e à Inovação de sempre. Este programa também assentará em 3 pilares fundamentais ligados a: Ciência Aberta, Desafios Globais e Inovação Aberta.
No seu terceiro pilar (ligado a Inovação Aberta), o programa irá criar o Conselho Europeu de Inovação. Este novo instrumento será uma ferramenta que permitirá ajudar a identificar inovações de grande potencial para criar novos produtos e mercados, e irá proporcionar apoio direto aos inovadores, complementando assim a função do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT), vocacionado para fomentar a integração de negócios, investigação, educação qualificada e empreendedorismo. Nos termos da proposta da Comissão será criado um balcão único para levar do laboratório para o mercado as tecnologias inovadoras mais promissoras e de elevado potencial e ajudar as start-ups e as empresas mais inovadoras a desenvolver as suas ideias.
Recorde-se que, previamente à proposta de criação, o comissário europeu para a Inovação, Carlos Moedas, selecionou um grupo de inovadores e empreendedores do setor privado, para refletirem sobre como o Conselho Europeu de Inovação deveria ser organizado. Destaque-se, da lista dos escolhidos, personalidades como a de Carlos Oliveira, presidente da InvestBraga e da Startup Braga e Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit. O relatório deste grupo de reflexão, “Europe is back: Accelerating Breakthrough Innovation e as suas recomendações foram apresentadas no início de 2018.
O Conselho Europeu de Inovação e o EIT inserem-se no terceiro pilar do Horizonte Europa, denominado “Inovação Aberta”, que terá uma dotação total de 13,5 mil milhões de euros, dos quais 10 mil milhões serão alocados ao novo instrumento.
O novo programa também incluirá novas missões de investigação e inovação à escala europeia centradas nos desafios societais e na competitividade industrial: no âmbito de Horizonte Europa, a CE lançará novas missões com objetivos audazes e ambiciosos e um elevado valor acrescentado europeu para procurar resolver os desafios que afetam a vida quotidiana dos europeus. Designadamente em 5 domínios: saúde, segurança, indústria e digital, clima, energia e mobilidade, e alimentação e recursos naturais.
O Conhecimento é essencial no Espaço Europeu da Investigação (EEI). O EEI corresponde a um verdadeiro espaço de livre circulação dos conhecimentos, dos investigadores e das tecnologias, destinado a reforçar a cooperação, a estimular a concorrência e a otimizar a afetação de recursos.
O princípio da “Ciência Aberta” tornar-se-á o modus operandi do programa Horizonte Europa, que exigirá o livre acesso às publicações científicas e aos dados, contribuindo, assim, para a aceitação pelo mercado e para o aumento do potencial inovador dos resultados gerados do financiamento pela UE.
O programa Horizonte financia a investigação e o desenvolvimento de conceitos, de métodos e de outras formas de capital intelectual necessários à cooperação entre as regiões, municípios, universidades e empresas em matéria de inovação e de valorização económica do conhecimento.
As regiões e os municípios podem, assim, incluir a investigação, o desenvolvimento e a inovação como parte essencial das suas prioridades políticas, traduzindo-se num grande desafio para as regiões, suas cidades, suas instituições públicas e privadas e para as empresas, que terão um papel determinante e uma responsabilidade acrescida.

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