Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Identidade Católica do CNE: nos dias de hoje1

As Bibliotecas e a cooperação em rede

Escreve quem sabe

2012-01-13 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Passados que foram os pri-meiros tempos da Revolução, este era também o tempo propício para as mudanças estatutárias2. Estas reafirmaram a sua pertença à Igreja, afirmando a sua consciência da responsabilidade que este facto lhe acarreta e reafirmando a sua não identificação com qualquer ideologia partidária, nem com o poder constituído. É o assumir da qualidade de Igreja, no pós Vaticano II, enquanto Povo de Deus3.

A última revisão estatutária4, operada em 1991 (Conselho Nacional Plenário de 29 de junho) mantém em tudo a comunhão com a Igreja:
a) opção católica:
Artigo 2.º - Opção Católica
1. O CNE afirma-se movimento da Igreja Católica.
2. O CNE está ciente das responsabilidades que lhe advêm deste facto, bem como daquelas que a Hierarquia e o restante Povo de Deus têm para com a associação.
b) Opção educadora e evangelizadora:
Artigo3.º - Fins

O CNE pretende contribuir para a formação de cidadãos capazes de tomarem uma posição construtiva na sociedade, aptos a participarem na constante transformação do mundo à luz do Evangelho, segundo a doutrina católica.
Se sob o ponto de visto normativo, não houve mudança significativa nesta comunhão para a transformação do mundo à Luz do Evangelho, segundo a doutrina da Igreja Católica, já quanto aos textos orientadores da política educativa e da formação de adultos, esta interação tornou-se mais evidente.

A publicação, entre 1985 e 1989, das propostas educativas para cada uma das quatro secções criaram um novo quadro de referência para que as questões da fé fossem tratadas de uma forma integrada e integradora não apenas no sentido do saber, mas sobretudo no sentido da vivência. Com as novas propostas educativas, a mística e a simbologia de cada uma das secções foi substancialmente enriquecida, permitindo uma maior exploração da Palavra como testemunho de Caminho orientador. Caminho marcado pelo modelo vivo: Cristo - o Homem Novo. Esta ação foi complementada pela publicação de livros como “Mística e Simbologia do CNE” e “Celebrações do CNE”.

Deste modo as orientações pedagógicas e educativas assumem-se como instrumentos complementares da ação da Igreja mantendo e aprofundando esta comunhão de Igreja, transformadora dos homens e da sociedade em direção a Cristo.

Por sua vez, a Conferência Episcopal Portuguesa, em dezembro de 1999, na sua Exortação Pastoral: “O Escutismo, Escola de Educação”5, demonstra a sua atenção à sociedade portuguesa, em geral, e à juventude, em particular: “Variadas análises sociais chamam a atenção para a crise de valores da atual cultura massificada: o hedonismo, o culto do corpo e da aparência exterior, o prevalecer dos direitos individuais sobre os deveres, a tentação do dinheiro fácil, a febre do consumismo, o imediatismo, a tendência para o erotismo e para o luxo. Este ambiente cultural favorece o aparecimento de um tipo de pessoa com algumas características predominantes: a superficialida-de, o narcisismo, a frivolidade, o vazio de referências éticas, a contestação da autoridade, a permissividade moral.”

E relativamente ao processo de educação não formal e à relação que o Escutismo Católico tem no processo evangelizador dos jovens reconhece que: “Na verdade este movimento apresenta-se, antes de mais, como um projeto de educação integral, capaz de promover o desenvolvimento equilibrado e harmónico da pessoa na totalidade das suas dimensões: enquanto sujeito de relação consigo pró-pria; enquanto sujeito de relação com o meio; enquanto sujeito de relação com os outros e com o próprio Deus.” e “A nova evangelização há de orientar-se aos afastados. O Escutismo tem, possibilidades de levar o Evangelho aos afastados, de atingir pessoas que estão fora ou alheadas da vida cristã.

Na verdade, responde a preocupações e oferece valores que interessam a muita gente que habitualmente não frequenta a Igreja: a questão ecológica, a educação ética, a responsabilidade pelo bem comum. Através deste diálogo com a cultura e com os valores que as pessoas procuram, o Escutismo pode anunciar o Evangelho como Boa Nova que realiza em profundidade estas expectativas humanas. Torna-se, assim, um movimento de fronteira entre a Igreja e o mundo e um meio para a nova evangelização.”

Sabemos que “há diferentes atividades mas Deus é o mesmo, que realiza todas as coisas em todos”6 e é nesta forma de dar sempre um Sentido ao Caminho, sabendo que o Senhor é nosso guia e que a nossa riqueza está nesta complementaridade que o Escutismo tem pro-curado aprofundar a sua visão de movimento Evangelizador de Fronteira.

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