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Imprevisibilidade

Quem me dera voltar a ser Criança

Voz às Escolas

2017-02-09 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

As estações são uma divisão do ano em períodos de tempo, marcados por mudanças no clima e com caraterísticas típicas de cada uma delas. Caraterísticas essas que raramente ocorriam fora das estações a que sempre estiveram associadas, mas que, nos últimos tempos, têm vindo a sofrer alterações que se refletem na nossa vida, interferindo com hábitos ancestrais, fortemente enraizados, e criando um clima de total insegurança quanto à forma como nos habituámos a gerir a mais simples das atividades.
Acontece que, nos últimos tempos, e falo de um espaço temporal significativamente longo, sobretudo quando a problemática em análise requer medidas com a duração que se espera de um “produto” que deve ser comercializado, consumido e avaliado, a imprevisibilidade do tempo tem grandes semelhanças com a imprevisibilidade das regras que sustentam o funcionamento de um sistema educativo que podemos apelidar de histórico, embora apenas quanto à durabilidade.
Regemo-nos por princípios que, à época, tinham uma significativa carga de inovação e vanguardismo, e que, com o passar dos tempos, foram acobertando a proliferação de normas que perspetivavam operacionaliza-las mas que, pela imprevisibilidade, acabaram por descredibilizar um documento que, não obstante carecer de uma revisão, não deixa de ser uma cartilha que, bem “utilizada”, teria evitado o estado caótico a que a educação chegou - a Lei de Bases do Sistema Educativo.
A evolução provocada pela constante necessidade de ir mais além na descoberta de outras formas de resposta para as necessidades de uma sociedade altamente competitiva e insatisfeita teve, e tem, consequências, não só ao nível dos mais elementares princípios em que deve assentar a vivência em democracia, mas também ao nível do nosso ecossistema, consequências essas que, pela forma como continuam a ser subvalorizadas, acabarão por provocar alterações irreversíveis aos mais diversos níveis.
Do mesmo modo, e no respeitante à educação, já lá vai o tempo em que a escola, garante da formação dos alicerces da sociedade, para além de ser respeitada como instituição, desempenhava o seu papel de acordo com linhas orientadoras que, contestadas ou não, todos sabíamos que vigorariam o tempo suficiente para as “absorvermos”, implementarmos e avaliarmos o seu impacto na promoção do sucesso dos alunos, que todos perseguíamos.
A necessidade de cada governo “deixar” a sua marca tem levado a que a lei de bases do sistema educativo esteja sujeita às mais diversas interpretações, “desvirtuando”, muitas vezes, os princípios que estiveram subjacentes à sua construção e desestabilizando as comunidades escolares que, perante a proliferação e diversidade de normativos, se vê forçada a um autêntico exercício acrobático para que não se perca o rumo e, com ele, o objetivo primeiro da Escola - a formação, aos mais diversos níveis, dos alunos.
E assim, tal como já não podemos aventurar-nos a tomar decisões baseadas nas condições climatéricas das estações do ano, também, em educação, se torna cada vez mais difícil, ou mesmo impossível, tomar decisões a longo prazo, tal a imprevisibilidade do acesso a condições que, não obstante estarem previstas para uma determinada época do ano escolar, se desconhece em que “estação” vão tornar-se realidade, o que, num futuro próximo, provocará, também, alterações irreversíveis, a nível social.
Estamos em fevereiro, os belíssimos dias de sol de um invulgar janeiro deram, repentinamente, lugar a dias de fortes tempestades, numa interessante similitude com a evolução dos acontecimentos no campo da educação, pois se com a entrada de janeiro ainda aguardávamos, expectantes, os recursos que o PAE - Plano de Ação Estratégica das Escolas - deveria ter-nos atribuído no início do outono, em fevereiro continua o “bombardeamento” com plataformas educativas que se apresentam como resposta às necessidades das escolas, embora para um público-alvo que nem sempre corresponde às necessidades elencadas no PAE que construímos, e vimos aprovado, sendo tanta a oferta, e a confusão, que não poderão levar a mal que não augure grandes resultados.
Afinal a confusão não tem apenas a ver com a imprevisibilidade do tempo…

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