Correio do Minho

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Incerteza, incerteza, incerteza

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Ideias

2016-11-11 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

Olhamos hoje para o futuro com particular incerteza. Com um grau muito elevado de incerteza. Tanto mais quanto o crescimento económico mundial tem sido um tanto desapontante desde 2008, e ainda apresenta muitas fragilidades. E as economias estão muito interligadas; diversos estudos têm vindo a chamar a atenção para o facto de que a maior abertura dos países contribui para tornar as crises mais longas, e como seria aliás de esperar, o que se passa nos vizinhos torna-as porventura mais profundas. Ou seja, estamos todos cada vez mais no mesmo barco, ou em barcos que navegam no mesmo mar…

Não sou, por natureza, pessimista. Mas não me parece de forma alguma que haja razões que possam sustentar, de forma clara, otimismo para os próximos anos.
Não se trata aqui de Portugal. Na verdade, ainda que os dados não sejam aquilo que todos gostaríamos, a informação estatística mais recente aponta alguns resultados positivos. A taxa de desemprego tem vindo a baixar de forma consistente desde 2015; se compararmos o terceiro trimestre de 2016, com o mesmo trimestre de 2015, o desemprego diminuiu 11,2%.

Por outro lado, tem vindo também a decrescer, ainda que ligeiramente, a percentagem de jovens, entre os 15 e os 34 anos, que não estão empregados, nem a estudar, nem tão pouco em formação. No que respeita à população empregada, neste trimestre de 2016 registou-se um acréscimo - mais 1,9% que no mesmo trimestre do ano passado, ou seja mais de 86 mil pessoas, extensivo a todos os grupos etários e a pessoas com diferentes níveis de escolaridade. Essa tendência verificou-se ainda em diversos setores de atividade, e sobretudo disse respeito a trabalhadores por conta de outrem, e em regimes contratuais sem termo.

As últimas estatísticas do comércio internacional, que acabaram agora mesmo de ser publicadas pelo INE, e que dizem respeito a setembro de 2016, também têm elementos positivos. As exportações de bens aumentaram 6,6%, e se excluirmos os combustíveis e os lubrificantes, o acréscimo é mesmo superior (7,8%), e estamos aqui a comparar semestres homólogos, isto é , setembro de 2016 face a setembro de 2015.

É interessante registar que os acréscimos na exportação se verificaram principalmente nos bens de consumo, nos produtos alimentares e bebidas, e em máquinas e outros bens de capital, o que é sinal de que as empresas estão a reagir, ainda que mantendo a mesma dependência tradicional face a Espanha. Uma vez que as importações aumentaram muito menos, apenas 1,9% , o défice da balança comercial baixou cerca de 172 milhões de euros face ao mesmo semestre do ano anterior.

Portugal está na moda, com personalidades de relevo em posições de elevado destaque internacional - e são já muitos os casos, e em variadíssimas organizações internacionais, conseguidas certamente em resultado do mérito individual, através de concursos abertos e rigorosos de recrutamento e seleção. O turismo , a Web Summit , entre outros casos, têm ajudado também a isso mesmo. O reconhecimento de uma marca não é só importante para os produtos, ou para os serviços; também o é, e cada vez mais, para os países.

Não é ainda suficiente, mas são notícias positivas. Mas a crise de 2008 ainda não foi ultrapassada, nem em Portugal, nem em termos globais. As dores são recentes, a convalescença é longa, são precisos cuidados redobrados. O crescimento rápido das economias é talvez passado, vai depender - como sempre - do progresso científico e tecnológico e da velocidade a que ele se transferir. Não estamos certamente pior do que décadas atrás. O mundo está hoje 80% melhor do que em 1950, e estava em 2010 80% melhor do que em 1980, de acordo com os dados estatísticos da Penn World Table. E isso foi devido também a alguns líderes de elevado estatuto, que foram absolutamente fundamentais para a ultrapassagem das diferenças profundas na Europa, para abertura por exemplo de países como a China ou a Índia.

Riscos temos todos os dias. Conseguimos tomar decisões com base na probabilidade, informada, que atribuímos a determinado resultado. A incerteza é diferente. Em incerteza, as possibilidades de diferentes resultados são muitas, mas não temos informação suficiente, ou credível, para conseguirmos associar uma estimativa de probabilidade . Pura e simplesmente , tudo pode acontecer - incluindo , conforme nos diz a lei de Murphy “ qualquer coisa que possa correr mal, vai ocorrer mal, no pior momento possível”. Isto é, o que puder dar para o torto, vai dar mesmo.
Chama-se Donald Trump o novo presidente dos Estados Unidos da América.

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