Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Incutir hábitos de poupança

Um futuro europeu sustentável

Escreve quem sabe

2011-12-04 às 06h00

Joana Silva

Vive-se “tempos difíceis” devido à crise instalada no país. As palavras, juros, débito, preço, poupar, entre outras, estão bem presentes no quotidiano actual. Tudo está mais caro e não há dinheiro para fazer face a tantas despesas. Um dos mais característicos dos provérbios diz que, “no poupar é que está o ganho”, sendo que esta acção deve ter o seu inicio na infância. É importante que as crianças compreendam como se ganha dinheiro, para que serve e principalmente a utilidade de amealhar. Muitos pais optam por fazer a poupança pelos filhos em pequenos, com a abertura de uma conta num banco. É sem dúvida uma acção benéfica em termos da concretização de objectivos futuros, mas para que as crianças dêem valor ao dinheiro e aprendam a economizar, esta atitude deve partir dos mesmos. As “maças nascem das árvores mas o dinheiro não”, e como tal é necessário explicar às crianças, sempre com verdade, que para ganhar dinheiro tem de se trabalhar muitas horas e que os pais nem sempre podem comprar as coisas que “querem” mas daquelas que são “necessárias” comprar, tais como, a alimentação o vestuário para a família, a prestação da casa, a do carro etc…
Também os pais devem ser bons modelos no gesto de economizar. Mais concretamente, de nada adianta falar ao educando da importância de amealhar se na prática o pai não o fizer, isto porque, os filhos têm por norma reproduzir ou imitar os pais. É certo que nas escolas as crianças aprendem a conhecer o dinheiro, todavia em casa essa tarefa não deve ser descurada nem tão pouco esquecida, pois deve ser explicada à criança as diferenças entre os valores tanto das notas como das moedas. No que concerne a esta temática, alguns educólogos apontam como metodologia didáctica, a possibilidade de ser oferecida à criança um contato mais directo com as contendas financeiras. Uma estratégia referida pelos mesmos é a de que os pais devem demonstrar aos mais aos pequenos, por exemplo, como se compara os preços numa ida ao supermercado, mais concretamente, os produtos com iguais ou parecidas condições e características mas mais acessíveis ao “porta-moedas”.
Ter um mealheiro, é um costume por si próprio intemporal, encarado até por alguns como o “primeiro banco”. As crianças devem ter um mealheiro para que possam ir juntando as moedas e notas. De reparar que estas ficam entusiasmadas e motivadas quando visualizam ou tomam o peso do conteúdo que por norma vai aumentando ao longo das semanas. Quando cheio deve ser permitido à criança a compra do presente almejado. Através desta situação retêm a ideia do tempo necessário e da utilidade da poupança.
No que concerne aos adolescentes, é imprescindível uma mesada ou mensalidade, de acordo com os gastos mensais. Ao ser atribuída uma mesada suficiente no inicio do mês, este tem de saber geri-la da melhor forma. Se porventura, o adolescente já não tem dinheiro a meio do mês, os pais não devem dar mais pois corre o risco de contribuir para um futuro consumidor gastador, que se acostumará a ter tudo o que quer, sem qualquer esforço. De realçar também para a importância de que os pais não devem presentear com dinheiro a troca da execução de tarefas domésticas nem as excelentes notas escolares, pois estas actividades, a de partilha de tarefas e o estudar devem ser reconhecidos pelas crianças como “deveres”.
Em jeito de conclusão é essencial que as crianças adquiram uma consciência de opção e escolha, e percebam a desarmonia entre o que é necessário e o que é desejado.

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