Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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Índice de felicidade

Quem fez o trabalho de casa?

Ideias

2012-04-13 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Aceitava-se até há pouco tempo que o índice de felicidade era dado pelo PIB. Países desenvolvidos apresentaram níveis de felicidade também altos, já que se assumia que a felicidade correspondia ao bem-estar material.
Mais recentemente entendeu-se que o bem-estar dependia de outros fatores que não apenas os materiais. A saúde, a participação política, o meio ambiente, o nível de emprego e a educação deveriam ser consideradas variáveis a acrescentar ao bem-estar material como explicativas da felicidade de um povo. E, por isso, o Butão, país perdido nos Himalaias foi considerado o país com mais elevado nível de felicidade no mundo.

O que será mais correto é considerar como essencial e básico o nível de bem estar material para aferir o nível de felicidade de um dado país. Assegurando esse nível, então a felicidade é medida também por outras variáveis não necessáriamente com caráter económico. E aí estão os últimos dados para demonstrar esta hipótese. Os países nórdicos são considerados os mais felizes e em contrapartida os países africanos são as de menor índice de felicidade.
Portugal ocupava neste ranking na posição intermédia dos assim a assim. Como diz o cantor: nós por cá todos bem…

E como seria agora, em plena recessão económica, com uma taxa de desemprego de 15%, com o aumento das desigualdades, com a limitação do acesso ao Serviço Nacional de Saúde, com a falta de segurança e sem esperança no futuro? Estamos convencidos de que Portugal desceu drasticamente no ranking de felicidade. De resto, basta andar na rua, frequentar os transportes públicos, ir ao café, para perceber que os portugueses perderam a esperança no futuro. Sentem-se defraudados pelos políticos. O governo prometeu-lhes um futuro de bem estar depois de um pequeno período de austeridade, mas o mesmo governo entrou em contradição, perdendo a fé no automatismo da receita.

Por outro lado, a oposição e sobretudo o Partido Socialista está órfão de liderança e sente-se completamente perdido, sem uma ideia, um programa, a indicação duma saída.
O resultado é a apatia dos cidadãos que vêem o sistema político como um jogo de sombras que já não retrata a realidade e que lhe é estranho. Um ambiente propício ao aparecimento de um salvador que só não aparecerá porque estamos na Europa e isto se a Europa não piorar, como tudo indica.

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