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Infâncias (im)perfeitas

A honra de servir...

Infâncias (im)perfeitas

Escreve quem sabe

2021-10-10 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

O período da infância é uma etapa muito importante no desenvolvimento da maturação emocional da criança. Se a criança não tiver por parte da família, carinho, atenção e mais do que tudo, o principal, o afeto, a vida adulta será afetada por isso. Relacionamos com várias pessoas, cada qual com as suas características da personalidade. Mas observe mais atentamente, aque-les/as que são vistos como pouco amigáveis, desconfiados/as e até mesmo os/as que não conseguem estabelecer vínculos emocionais seja com amigos/as ou até um relacionamento amoroso. Preste igualmente atenção aqueles/as em quem dá um abraço e a pessoa em questão, fica imóvel ao ponto de fazer pensar que não gostou ou achou abusivo. Não é cliché a frase, mas de facto, “Para tudo na vida há uma explicação”. Pessoas que viveram o “desamparado” emocional, isto é não receberam afeto e atenção na infância tendem de forma inconsciente, a não saber expressar emoções, embora as sintam e desejem muito, corresponder ao gesto de carinho, não sabem como o fazer. Como se “paralisassem” perante as boas emoções. A falta de afeto, não se circunscreve às famílias disfuncionais (onde “todos ralham, sem razão”), mas sim em pormenores que frequentemente, passam despercebidos, tais como, o pai ou a mãe que trabalham muito e passam pouco tempo com a criança. A criança, fica triste, também quando escuta, dos pais, “Estás a dar um abraço à mãe, é porque vais pedir alguma coisa”, ou “Chato/a! Pára, que eu tenho muito que fazer”, ou, “Não dês beijinhos, porque a barba pica.”. Há todavia, exceções, mesmo numa infância desprovida de carinho, há quem consciencialize-se e aja diferente no presente com a sua família, agora no papel de mãe ou pai. Tal como diz o ditado popular, “Nem tudo o que parece é.”, e por detrás de “antipatia”, pouca socialização da pessoa, “mais frio/a”, parece que não gosta de ninguém, nem muito menos parece satisfeito/a com vida, poderão estar as razões na infância vivida. Não basta vestir, calçar e alimentar um/a filho/a, é preciso mais. É preciso, o afeto manifesto nos abraços, nos beijinhos e nos colinhos do pai e da mãe como porto seguro. A falta de afeto deixa marcas muitas vezes irreparáveis e na vida adulta há quem se torne carente numa procura ininterrupta do amor que não teve na infância e no apego exagerado a outras pessoas. Pessoas que ficam tristes, quando põem todas as expectativas em algo ou alguém e este/a não tem a mesma reciprocidade de resposta (ex. X é meu amigo de coração. Mas para o X o Y é apenas um conhecido). Pessoas que se anulam em prol de outros/as só para manterem vínculos que os /as afundam mais na solidão (mesmo que acompanhadas, a solidão persiste). Pessoas que se submetem a circunstancias menos positivas (ex. mantem relações de namoro, casamento em que não são felizes.). A carência afetiva está implícita em comentários ou apreciações que se faz sobre alguém, tais como: “É controlador/a.”; “Sufoca a amizade.”; “Parece que esconde algo. Pensa muito e fala pouco.”; “Tudo tem de ser à sua maneira.”; “Diminuiu-se muito sem necessidade, só os/as outros/as é que são bons.”; “Só acredita se os seus próprios olhos virem.”. As memorias negativas da infância são uma espécie de “batalha interna” que a pessoa trava dentro de si, em que o seu maior desejo é apenas ser aceite e ser amado/a. Não obstante, uma boa auto-estima é sinónimo de saúde mental e emocional, tal como ter saúde física é o bem mais precioso que cada um de nós poderá ter. Um bem que os bens materiais não compram. O bem mais precioso que mesmo quando perdido (nunca o está de facto) pode ser sempre resgatado, não importa a idade que se tenha. Se se enquadra neste “perfil”, lembre-se que há pessoas que com as quais convive e que são importantes na sua vida, mas você é o/a protagonista principal, o numero 1. Faça permanecer na sua vida, as pessoas que somam e não as que subtraem os seus sonhos e objetivos de vida. Cuide de si, da sua saúde mental, ame-se incondicionalmente e se as memorias da infância “atrapalham” o avançar na sua vida, procure ajuda especializada. Por vezes, precisa-se de um “empurrão” para perceber que o passado, do “abandono afetivo” está lá atrás e não no presente. Se por outro lado, conhece alguém com as características atrás referidas, ajude com um bom conselho. As palavras tem muito poder, e por vezes, basta uma boa palavra no momento certo para “encorajar” para uma nova atitude perante a vida.

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