Correio do Minho

Braga, sábado

- +

Informação, socialmente responsável

A saúde escolar em dias de Covid

Informação, socialmente responsável

Voz às Bibliotecas

2020-05-14 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

O aumento exponencial da informação disponível à nossa volta e as potencialidades dos mecanismos para o seu armazenamento e recuperação são novamente objeto de reflexão. É assustador o volume de informação que diariamento nos chega pela web, media, redes sociais. Os profissionais de informação, as bibliotecas devem ter um papel ativo no desenvolvimento da literacia da informação junto da comunidade. Entre muitos outros objetivos, as bibliotecas públicas têm por missão desenvolver planos de combate à desinformação e às chamadas “fake news” para reforçar o desenvolvimento da literacia dos media na comunidade e da literacia da informação, insistindo na necessidade de cada cidadão apelar ao desenvolvimento do seu pensamento crítico. A American Library Association diz que um indivíduo com competências de informação “deve ser capaz de reconhecer quando a informação é necessária, e ter as capacidades para a localizar, avaliar e usar eficazmente.” (ALA, 1989).

A luta das bibliotecas contra as fake news é uma luta desigual. A solução pode não passar por lutar diretamente contra elas, mas sim formar indivíduos para serem capazes de, criticamente, as identificarem. Quantas vezes recebemos mensagens de credibilidade duvidosa no Whatsapp ou Messenger e, sem pensar, desejamos compartilhá-las com todos nossos contatos? Quantas vezes lemos uma notícia pelo Facebook que nos surpreende, ou nos ajuda a formar uma opinião, e achamos que devemos ser responsáveis pela sua rápida partilha? O nosso desejo é partilhar, partilhar, replicando informação, muitas vezes dúbia, não validada cientificamente, que apenas representa um ponto de vista isolado de uma determinada pessoa, uma experiência única, não correspondendo necessariamente à “verdade”. Roger G. Newton no seu livro “A Verdade da Ciência: Teorias Físicas e Realidade” diz que o “critério mais importante para averiguar a verdade de uma afirmação, é a sua coerência com uma rede de afirmações que também sejam consideradas verdadeiras”. Adianta que “os resultados da ciência, embora não se baseiem em observações puras efectuadas por indivíduos imparciais, “também não são narrativas consensuais ou mitos com objectivos políticos”.”

Muitas vezes, temos tendência a colocar informação dispersa e díspar “toda dentro do mesmo saco”, procurando que os outros nos sigam como se fossem “cordeirinhos” acéfalos, sem questionar as fontes, sem desmontar problemas e processos, num intuito de construção de uma opinião única. Em cenários excessivos de “medo” e de alguma histeria informativa e desinformativa, torna-se fundamental que antes de partilhar qualquer informação verifiquemos, se possível, as fontes de informação e os canais onde nos é apresentada.

O poder da informação e da sua gestão nos processos cognitivos é fundamental para a criação do pensamento crítico e da força e certezas que precisamos para estar na vida. Os grandes pensadores críticos são por norma pessoas muito informadas, que normalmente lêem muito, em diferentes fontes e meios de comunicação, em diversos jornais, canais de televisão, e procuram a informação técnica e científica publicada por instituições de referência. São indivíduos normalmente equilibrados, que praticam a moderação para se precaver contra os perigos do pensamento imediato, “achista” (eu acho que), excessivo ou descuidado. São favoráveis a adequar-se a pensar conscientemente sobre os contextos situacionais, disciplinados na resolução de problemas. Honram o rigor da informação, do trabalho, as rotinas e os hábitos que levam ao resultado esperado, além de exercitar a sua inteligência emocional por meio da autoconsciência e do autocontrole. Focam-se nos objetivos e não nos obstáculos. Tentam resolver os problemas, diante das dificuldades.

Ter uma estratégia de vitória ou de relativização para situações de drama ou imposição coletiva de opiniões, não é para qualquer um, mas com o devido treino e foco, poderá ser para a maioria. Exercite-se para uma consciência situacional. Ouça, não só o contexto, ou o seu julgamento, ou o dos seus próximos, mas pratique uma abordagem e uma construção objetiva e lógica. Quando ouvir os outros, peça para expressarem as bases sobre as quais construíram as suas conclusões. Muitas vezes, desconstruir uma ideia, pacientemente, ponto a ponto é a melhor maneira de aprender. O conhecimento é das poucas coisas que se multiplica quando se partilha. Mas há quem partilhe sem ler completamente, sem compreender, sem conhecer. Por isso, cuidado e responsabilidade na generosidade dos atos. Nem toda a informação é útil ou criativa. Há que saber navegar neste “mar” de certezas, incertezas, afirmações, críticas ou sugestões.

Deixa o teu comentário

Últimas Voz às Bibliotecas

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho