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O espantalho

Voz às Escolas

2016-02-11 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

De uma forma generalizada, mesmo aqueles que ao longo do ano se esquecem que a vida deve ser encarada como um dom e que até as dádivas requerem cuidados, param para festejar, com maior ou menor “pompa”, o dia em que, pela primeira vez, pisaram o palco deste grande espetáculo que é a vida.
Mas o calendário anual foi sendo, ao longo dos tempos, preenchido com outros registos, registos de datas evocativas de acontecimentos que marcaram a nossa história e a nossa vida, a que foram sendo acrescentados outros que decorrem da necessidade de darmos visibilidade à nossa preocupação quer com causas humanitárias quer com problemas que nos afligem.
E se, no seio das famílias, a maior parte destas datas passa despercebida, o mesmo não acontece com a escola, que chega a não ter espaço para tanta efeméride, efemérides essas que merecem uma atenção especial por parte da tutela, bem patente na proliferação de documentos apelativos à nossa participação, pese embora, por um lado, a escassez de tempo para cumprir os programas, sejam eles adequados ou completamente desfasados quanto ao timing para o seu cumprimento ou, por outro lado, o impacto que as referidas comemorações possam vir a ter na formação dos alunos e, não menos importante, o nível de contributo que possam ter para o sucesso escolar dos mesmos.
Há, evidentemente, datas que devem ser assinaladas e que as escolas selecionam, criteriosamente, analisando o leque diversificado e numeroso de propostas, e relativamente às quais se encontram formas de levar os alunos a refletir e a dar asas à sua criatividade, através da produção de materiais apelativos que se constituam como alerta para a necessidade de alterarmos alguns comportamentos que colocam em risco a humanidade. No entanto, e parafraseando uma expressão popular “passa o dia passa a romaria”, o que se constata é que raramente a preocupação dura para além do tempo das comemorações, em que pela diversidade das atividades se atraem as atenções.
A preocupação com alguns flagelos não pode, em circunstância alguma, ser uma responsabilidade unilateralmente assacada à escola. Esta deve, sem dúvida, alertar, mas o trabalho de fundo, sistemático e de monitorização das práticas, é uma responsabilidade das famílias, a quem compete encontrar mecanismos de acompanhamento, privilegiando o diálogo e a partilha, num clima de total abertura.
É certo que quer a família quer a escola se debatem com inimigos ferozes, com uma capacidade de persuasão inimaginável, que atuam, sorrateiramente, e vendem os sonhos que temos dificuldade em realizar porque vivemos no mundo real e damos o nosso melhor para preservar a integridade física e psíquica dos nossos jovens, mesmo conscientes de que há idades em que somos vistos como retrógrados, por mais abertura que tenhamos para ouvir e tentar compreender.
A internet e as redes sociais são, no momento, os inimigos mais difíceis de combater porque atuam mesmo dentro das escolas e, sobretudo, dentro das nossas próprias casas, onde entram, silenciosamente, a qualquer hora do dia ou da noite e, não tendo corpo físico, atuam sem que os vejamos. Quem questiona o trabalho de pesquisa que retém o jovem tantas horas fechado no quarto, em total isolamento, para que a sua dedicação ao estudo não seja perturbada? Quem não acha normal que passando tanto tempo na escola tenha necessidade de se isolar para estudar quando chega a casa?
É evidente que falo de exceções, mas a minha preocupação está no crescimento do número de jovens que se transformam em função dos sonhos envenenados que lhes são vendidos, através das redes sociais a que têm acesso, não porque defenda que devam ser privados do acesso a uma tecnologia que adquiriu um papel de inquestionável importância na nossa vida, e que muito contribui para aprofundar e alargar o nosso conhecimento, mas porque considero que urge tomar medidas para precaver situações para as quais podemos, no futuro, não encontrar solução.
A corresponsabilização da família, da escola e da sociedade, em geral, é a única forma de minimizar um problema que, não sendo uma catástrofe natural nem uma guerra é, no fundo, um misto de ambas.
Comemorámos, há dias, o Dia da Internet Segura, mas não basta, porque este flagelo tem que ser encarado numa perspetiva convergente de medidas que preparem os jovens para enfrentarem um problema a que não podemos furtá-los, mas que podemos ensiná-los a gerir com inteligência, através de um diálogo franco, tendo presente que tudo o que é proibido atiça a nossa curiosidade, do mesmo modo que tudo o que é analisado sem preconceitos reforça a nossa capacidade de vencer.

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