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Inovação e impacto económico da Nanotecnologia

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Ideias

2017-04-22 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

As expectativas para que a Nanotecnologia melhore a segurança e a qualidade de vida dos cidadãos são elevadas, uma vez que se considera a possibilidade de que a mesma possa potenciar a introdução de soluções tecnológicas que, de algum modo, resolvam problemas industriais através da utilização de tecnologias de nanofabricação emergentes. A Nanotecnologia já apresenta um considerável impacto sócio-económico. Segundo alguns estudos de mercado poderá vir a ser responsável por mais de 100 milhões de postos de trabalho diretos ou indiretos à escala mundial nos próximos 15 anos.

De acordo com um relatório publicado pela BCC Research, o mercado global para a nanotecnologia foi avaliado em 20 mil milhões de dólares em 2011. Espera-se que o total de vendas atinja os 49 mil milhões de dólares em 2017.
A nanotecnologia constitui uma aposta estratégica da União Europeia. No âmbito do programa quadro Horizonte 2020 serão investidos cerca de 6 mil milhões de euros para o desenvolvimento das capacidades industriais da EU nesta área.

A aposta no investimento no conhecimento científico e na inovação é crucial para o crescimento socioeconómico e para o desenvolvimento sustentável da região Norte. O investimento em projetos científicos e inovadores é um dos grandes desafios que a região enfrenta. Na região Norte de Portugal têm-se observado importantes desenvolvimentos relativos à transferência de conhecimento de resultados procedentes da atividade de I&D em Nanotecnologia. Parte do êxito encerra na sua base um esforço continuado por parte das instituições e grupos de investigação das duas regiões, capazes de desenvolver um conhecimento científico cada vez mais competitivo, eficiente e articulado.

Note-se o papel determinante das Universidades e de alguns dos investimentos avultados em infraestruturas de I&DI que têm a importante responsabilidade de contribuírem para o desenvolvimento económico, afirmação e reconhecimento internacional da excelência científica e tecnológica. O INL é considerado o maior investimento estratégico e de grande importância para o desenvolvimento da nanotecnologia no Norte de Portugal.
As instituições de I&D que desenvolvem investigação de vanguarda em Nanotecnologia (a Universidade do Minho, o INL e o CENTI, para referir apenas as mais importantes da nossa região) procuram estar sempre na vanguarda do conhecimento e contribuir efetivamente para os avanços da Nanotecnologia e para a sua valorização económica.

Os resultados obtidos em projetos aplicados nas áreas da nanotecnologia terão impactos positivos diretos não só no tecido económico da região mas também outras empresas beneficiarão como são exemplo as áreas da Energia, Saúde, Novos Materiais e Produtos, Processos Industriais, Biotecnologia e TICE.
O conhecimento em nanotecnologia gerado na Região Norte terá de contribuir para o fomento da competitividade das empresas e sua internacionalização, e promover o emprego qualificado atraindo e fixando talento de jovens graduados e cientistas com reconhecimento internacional e incentivar ações de empreendedorismo que possam contribuir para a criação de novos postos de trabalho.

Em Portugal existem cerca de uma dezena de empresas dedicadas exclusivamente à nanotecnologia (a maioria spin offs e start-ups), sendo o maior investimento nacional a empresa Innovnano (produção à escala industrial de nanopartículas).
Destaco o resultado do estudo de um mapeamento de competências em Nanotecnologia efetuado pelo consórcio do projeto Nanovalor, que tive o privilégio de coordenar, mostra que a realidade se encontra numa fase disruptiva na medida em que as empresas euroregionais identificam a nanotecnologia como um veículo interessante para as suas áreas de negócio.

A implementação de produtos baseados em nanotecnologia na indústria automóvel e da construção civil ocupam o 1º lugar uma vez que quase 30% das empresas da amostra identificam-nas como uma oportunidade. Seguem-se a indústria têxtil, da energia, sanitária e de materiais, assim como as indústrias eletrónica e do meio ambiente. A aplicação na indústria alimentar, indústria de biotecnologia, farmacêutica e de defesa também são referidas.

Muitos dos projetos em curso têm participação de PME’s e apresentam uma vertente muito aplicada para áreas da economia regional. Destaco algumas áreas estratégicas do I&D em nanotecnologia para o bem-estar da população e para o sector industrial: Materiais nanoestruturados e revestimentos funcionais para aplicações em conforto e segurança. Nanomateriais electro - e termocromáticos capazes de modular a cor de superfícies, assim como o controlar o fluxo de calor através de janelas em edifícios (e com aplicação na indústria automóvel e aeronáutica).

Nanopartículas e revestimentos nanocompósitos para superfícies inteligentes (implantes biomédicos, auto-limpeza, bactericidas, auto-regeneração, embalagens e etiquetas alimentares, dispositivos sensoriais e de nanodiagnóstico médico), sistemas ultra-eficientes de energia, integração de células solares de última geração em elementos arquitetónicos, nanofilmes e tratamentos plasma para plásticos e têxteis técnicos.
No caso particular da indústria têxtil, espera-se que a utilização de materiais nanoestruturados melhore as propriedades das fibras têxteis conferindo propriedades inovadoras: autolimpeza; repelência da água e sujidade; antimicrobianas; propriedades condutoras e anti-estáticas; resistência a solventes, à radiação ultravioleta, ao desgaste e ao fogo.

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