Correio do Minho

Braga, segunda-feira

- +

Investigação e Desenvolvimento Económico

Escrever e falar bem Português

Ideias

2010-10-15 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Quando há mais de dez anos o papel principal da investigação científica foi discutido na Universidade, lembro-me de chamar a atenção para a importância da investigação em Ciências Sociais. Entendia-se então que havia uma correlação entre o número de patentes e o desenvolvimento económico.

Não se trata duma relação mecânica, já que o desenvolvimento económico é intermediado por estruturas sociais, cultura e formas de pensar. E isto só pode ser explicado pelas Ciências Sociais e não pela engenharia e tecnologia. É certo que a investigação em Ciências Sociais não têm ajudado, já que se têm perdido em bizantinices sem interesse.

Vem isto a propósito do balanço do plano tecnológico. Todos os indicadores apontam no sentido de que apesar de Portugal nunca ter tido tantos recursos humanos e tão qualificados em ciências e em engenharia, a economia nacional parece não estar a ganhar com isso: pelo contrário, os resultados são de perda, a avaliar pelos últimos dados oficiais. E isto apesar dos indicadores positivos sobre a educação, qualificação e competências científicas dos portugueses.

Claro que se podem encontrar explicações para esta situação. Desde logo, porque os resultados desta política não se fazem sentir imediatamente, sendo necessário um certo tempo para que a transposição da investigação para a economia se faça sentir; e que portanto os investimentos em investigação não devem diminuir.

Estas razões são respeitáveis, mas há outras, bem mais fundamentais. José Manuel Fernandes, embora não seja um autor do meu agrado, toca na ferida num artigo publicado no Público a 24 de Setembro: “Toleramos 40 anos de Salazar. E não mudámos assim tanto”.

Mais de quarenta anos após a morte de Salazar, o país que pacatamente o aturou mudou muito, mas apenas à superfície. A cultura política que permitiu o salazarismo continua a explicar os comportamentos colectivos. Também o Estado continua centralizado e gerador duma classe média parasita do aparelho, constituída por políticos, dirigentes, gestores públicos.

Falta uma classe média empreendedora que converta a investigação em tecnologia e o saber em produtos que vendem.
Entretanto, os portugueses vivem “acalmados” por um Estado Social que só por milagre ainda não desabou. E toda a comédia política anda à volta desta questão. O Estado social pode cair aos bocados ou ruir repentinamente. As medidas do governo de restrições orçamentais acentuam a ideia que é possível salvá-lo com o sacrifício de todos, mais de uns que outros. O remédio pode, porém, matar o doente, em vez de curá-lo.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.