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Invisível neste Natal é o coração

Quem me dera voltar a ser Criança

Invisível neste Natal é o coração

Ideias

2018-11-29 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

Uma das épocas mais agitadas do ano está a chegar - o Natal. As famílias começam a enfeitar as suas árvores, pensam nas lembranças para aqueles que mais estimam. No Natal avivam-se sentimentos e emoções, praticam-se atos de partilha, acorda-se o nosso altruísmo. Algumas narrativas intemporais levam-nos à reflexão.
Para Charlie Brown (personagem de Charles Schulz na obra “O Natal de Charlie Brown), o espírito natalício já não é mais o mesmo e a festa tornou-se um grande evento comercial. Nesta história, a turma do Charlie Brown quer animar um dos seus amigos, mas não há nada que o faça mudar de opinião. É aí que uma árvore pequena e sem folhas entra em cena, para revelar o verdadeiro significado do Natal. Qual será?
Na história “Um conto de Natal” de Charles Dickens, um dos contos mais conhecidos da literatura mundial, pretende-se mostrar que a ganância e o egoísmo não conduzem à felicidade. O Sr. Scrooge é um homem de negócios londrino, rabugento e solitário, que incrivelmente não demonstra nenhum tipo de compaixão ou bom sentimentos com os outros. Preocupado apenas com os negócios, o dinheiro e os seus lucros, o homem não permite que ninguém se aproxime. Na noite de frio, véspera de Natal, é visitado pelo fantasma do seu antigo sócio comercial (morto há sete anos), que o avisa para se preparar para a visita de três espíritos, os seus próprios passado, presente e futuro. Esta história de redenção do homem comove adultos e crianças em todas as épocas.
A obra O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry, publicado pela primeira vez em 1943, em plena segunda guerra mundial, fala-nos do mundo complicado em que vivem os adultos, através dos olhos de uma criança. Já leu esta pequena grande obra? Nesta simples e profunda narrativa, que aconselhamos vivamente à (re)leitura e reflexão, ressalta a imagem da criança na sua forma singular e incorrupta de ver o mundo que a rodeia. Qual é a solução dela para resolver o problema do Mundo? “é muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Os olhos são cegos. É preciso procurar com o coração”. Longe de ser um livro infantil, só conseguimos entender as mensagens singelas que nesta obra constam, quando chegamos à vida adulta, por vezes numa idade mais avançada, ultrapassada a fase egocêntrica e narcísica. Para quem leu a obra há muitos anos atrás, será interessante relê-lo mais uma vez, quiçá nesta quadra de Natal. Na passagem do livro onde diz: “Todas as pessoas grandes foram um dia crianças – mas poucas se lembram disso”, faz-nos lembrar que devemos ser permanentemente adultos e cumprir regras. Há quem perca grandes oportunidades de realizar sonhos quando estabelece não mais ir a um parque infantil, não andar de baloiço, não mais comprar uma revista de banda desenhada, não mais andar a correr à chuva a cantar, ou andar de bicicleta.
No Natal sejamos um pouco crianças. Outra mensagem que é passada nesta obra é que só conhecemos bem as coisas quando as conseguimos cativar, ou nos deixamos cativar por elas. Esta ideia reporta-nos à importância da construção de relações interpessoais, alicerçada na confiança e no respeito, importantes elos numa sociedade em construção. No começo, os outros parecem-nos distantes, sobre eles formamos rapidamente opinião, por vezes toscamente formada, com preconceitos e superficialidades. Vivemos no imediatismo social. Não conhecemos os seus gostos e preferências. Quando damos oportunidade e espaço ao conhecimento do outro, damos espaço à sua expressão, criamos laços, abrimos o poder da comunicação e do coração. Quando o outro nos cativa se criam laços, sentimos a sua falta, numa relação recíproca que pode perdurar no tempo. Criam-se amizades.
“É mais difícil julgar-se a si mesmo do que julgar os outros.”, outra passagem do livro que nos obrigada a pensar e a refletir. Muitos sabem que olhar para dentro dói, assumir erros é difícil e, se é para magoar alguém, melhor que seja o outro e não eu a ser magoado. Nesta quadra de Natal e de fecho de ano civil, fica a sugestão da leitura desta “pequena” obra, em família, numa reflexão conjunta de frases que podem eventualmente ajudá-lo a refletir e a melhorar algum comportamento, alguma atitude, a pedir perdão àquela pessoa com quem não fala há meses atrás. A leitura faz-nos bem, em qualquer que seja a quadra, o momento. A leitura e a reflexão do lido, ajuda-nos a ser efetivamente melhores.
Nesta quadra festiva, reencontramos familiares, convivemos à volta de narrativas individuais e coletivas. Nas cidades, andamos numa terrível azáfama de compras, de lojas, de compras, de pressas consumistas, de compras, para um fim último comum: retomar às nossas origens, voltarmos a estar no aconchego da nossa infância e do nosso imaginário. Viajamos ao encontro dos nossos familiares, dos nossos amigos, e muitas vezes, ao encontro daqueles que mais necessitam de apoio. Muitas são as histórias, as memórias transportadas em nós, sentidas e vividas, desenhadas com palavras e ilustradas com emoções. Nesta quadra importa o ser humano, importa a condição humana.

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