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ISTs em Portugal: a necessidade de medidas imediatas

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ISTs em Portugal: a necessidade de medidas imediatas

Voz à Saúde

2024-04-09 às 06h00

Ricardo Pinto Ricardo Pinto

Numa época em que a medicina avança a passos largos, é natural que algumas preocupações diminuam. No entanto, a falsa sensação de segurança pode ser perigosa, especialmente quando se trata de Infeções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Portugal enfrenta um cenário desafiador, com aumentos vertiginosos superiores a 50% em casos de gonorreia, 16% de clamídia e 34% de sífilis, evidenciando uma urgência na implementação de medidas preventivas.
Uma das questões preocupantes que leva a esta falsa sensação de segurança, pode ter sido amplificada pela disponibilidade de medicação profilática para o HIV, um avanço notável na área da saúde. O surgimento de medicamentos que podem prevenir a transmissão do HIV durante relações sexuais desprotegidas, trouxe uma nova perspetiva para muitas pessoas. No entanto, essa mesma sensação de segurança pode ter contribuído para uma negligência em relação a outras ISTs, como gonorreia, clamídia e sífilis. De notar que a profilaxia pré-exposição (PrEP) para o HIV, que envolve o uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não têm o vírus, pode ser altamente eficaz na prevenção da transmissão do HIV. No entanto, a eficácia da PrEP pode variar dependendo de vários fatores, como adesão adequada ao tratamento e uso consistente da medicação. Estudos demonstraram que, quando tomada conforme as instruções, a PrEP pode reduzir significativamente o risco de infeção pelo HIV, mas não oferece uma garantia absoluta de proteção.
Além do aumento alarmante de casos de ISTs, uma preocupação adicional surge com a crescente resistência aos antibióticos. Esta resistência é uma consequência direta do uso excessivo e inadequado de antibióticos no tratamento de ISTs e outras infeções. Estudos indicam que as ISTs, como gonorreia e clamídia, estão a desenvolver resistência aos tratamentos convencionais, tornando mais difícil a sua erradicação. Por exemplo, a gonorreia tem mostrado resistência aos antibióticos utilizados tradicionalmente no seu tratamento, como a azitromicina e a ceftriaxona. Esta resistência bacteriana representa um desafio significativo para a saúde pública, uma vez que pode complicar o tratamento das ISTs e aumentar o risco de complicações graves, como doença inflamatória pélvica, infertilidade e até mesmo disseminação da infeção para outros órgãos.
Numa tentativa de controlo, surge a discussão sobre a quebra do anonimato de dados dos pacientes, sendo este tema bastante complexo e que deve ser abordado com cautela. Enquanto a Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP) destaca a necessidade de um registo completo para garantir uma intervenção eficaz e direcionada, ressalta-se que isso não implica uma quebra do sigilo médico.
A proposta atual visa apenas permitir que os médicos de Saúde Pública possam identificar os pacientes e oferecer-lhes apoio adequado, sem expor as informações pessoais. A medida, portanto, busca facilitar a investigação epidemiológica e melhorar as estratégias de prevenção, garantindo ao mesmo tempo a confidencialidade dos dados médicos.
Em suma, é importante considerar que o aumento do número de casos de ISTs não pode ser ignorado. É crucial investir em campanhas de consciencialização e prevenção, garantindo que a população esteja informada sobre os riscos e as medidas de proteção disponíveis. Além disso, é necessário fortalecer os sistemas de saúde, garantindo acesso facilitado a testes de rastreio e tratamentos eficazes.
Lembre-se, cuide de Si! Cuide da Sua saúde!

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