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Juventude e Desporto: Por um novo ciclo de capacidade renovada

Les uns contre les autres

Escreve quem sabe

2016-10-09 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Depois de cessar as funções de Diretor Regional do Norte do Instituto Português do desporto e da juventude, aproveito este espaço de opinião, para agradecer pessoalmente, aos jovens, às organizações juvenis e para a juventude, aos agentes desportivos, aos agentes educativos, aos autarcas, a todas as forças vivas da região, às instituições públicas e privadas, aos agentes desportivos as parceiros o apoio, e a disponibilidade manifestada na colaboração com equipa da Direção Regional no trabalho.
Uma caminhada com distanciamentos e aproximações, percorrida por etapas interpoladas, que compõem um período de cerca de 20 anos ao serviço das políticas da juventude e do sistema desportivo nacional. Um ciclo profissional muito gratificante, que culminou ao longo dos últimos quatro anos, num contexto de enorme dificuldade, que conseguimos superar, apesar de todas as vicissitudes e a enorme escassez de recursos.
Neste sentido, cumpre-me partilhar uma breve reflexão em torno das prioridades que pautaram o nosso trabalho em torno da construção de um ideal de geração, assente na defesa da independência económica plena dos jovens, na sua emancipação efetiva, na conciliação entre a vida pessoal e profissional, na habitação e constituição da família, que gravitam em torno da promoção da empregabilidade, do emprego e de uma cidadania à altura das suas aspirações.
O processo de criação do IPDJ, assentou na fusão de duas culturas organizacionais fortes, tal como podemos constatar pela experiência de proximidade, resultante deste período de cerca de quatro anos da sua implementação, levantou algumas dificuldades de agilização de “uma nova cultura”, que se prenderam com a interceção das duas funcionalidades - juventude e desporto - numa perspetiva de melhoria contínua. Numa dinâmica focada na execução da política integrada e descentralizada, em estreita colaboração com entidades públicas e privadas, fundada na cultura de mudança que carateriza o movimento associativo juvenil, o sistema desportivo e a economia social, com sinais cada vez mais evidentes centrados nas dinâmicas locais, avaliar pelas estruturas e redes emergentes ao nível local e regional.
Uma dimensão sistémica, que está também está cada vez mais, na primeira linha das preocupações das Instituições do profeto educativo do ensino regular, profissional e Ensino Superior, neste período de transição mais ou menos disruptiva, em que se vêem mergulhadas as novas gerações, onde impera o “primado das competências”, que preconizam um novo conceito de educação e formação integral e inclusivas. Estruturas que estão a privilegiar a implementação de uma política transversal de interceção entre as áreas da juventude e do desporto, através de programas próprios e parcerias publico privadas centradas nas dinâmicas locais, que privilegiam uma política de “proximidade inteligente”, com o associativismo juvenil, o associativismo estudantil associativismo desportivo e com organizações socias, como “coração” e o eixo central da missão do IPDJ.
Uma postura assente no diálogo estruturado em torno de temas, como: o reconhecimento da educação não-formal; o estímulo da inovação e da criatividade; a disponibilização de instrumentos e meios que possam contribuir para a promoção de uma cultura empreendedora e apoiar projetos de empreendedorismo na vertente cultural, social e económica; a contribuição para uma promoção eficaz da empregabilidade e do emprego Jovem.
Foram alcançados bastantes resultados, neste âmbito. Nas últimas três décadas, o nosso país assumiu uma posição pioneira, nas políticas públicas para a juventude. Os passos dados nos últimos quatro anos, asseguraram uma continuidade e, simultaneamente, sustentaram um quadro estratégico adaptado à realidade da Região Norte, com o empenho e o profissionalismo de uma equipa empenhada. Um programa desenhado em sintonia com a missão nacional IPDJ, que preconizava a visão de “ser uma organização de reconhecida referência nacional e internacional no desenvolvimento de políticas públicas para as áreas do desporto e juventude”.
Uma visão atenta a cada um dos contextos pensando a juventude com um uma condição social de geometria variável, assente nos valores organizacionais que consubstanciam o quadro estratégico nacional de consolidação da interceção com a área do desporto, de acordo com as tendências ao nível das políticas locais, e nos documentos emanados pelas Organizações Internacionais. Ação de longo prazo, centrada em medidas de resposta às necessidades e especificidades da condição social dos jovens, nomeadamente, nas áreas de ocupação de tempos livres, do voluntariado, do associativismo, do empreendedorismo, da criatividade, do emprego, da saúde, do desporto, e da formação de dirigentes e de youth workers, num processo de cooperação e parceria com as autarquias locais, que se perspetiva mais aprofundado.
Uma “revolução silenciosa”, que as dinâmicas associativas estão a protagonizar através da organização de seminários, feiras de emprego, concursos de ideias como parceiro de corpo inteiro no desenvolvimento de um “ecossistema empreendedor” promotor de empregabilidade.
Facto que tem determinado o investimento do Estado neste ecossistema empreendedor, sem paternalismos e através de um processo de responsabilidade repartida, onde os jovens assumem o protagonismo da sua participação cívica e do desenho do seu próprio futuro.
Um motivo de reconhecimento pessoal, para quem como eu, trabalhou na área da juventude e do desporto, numa região dotada de uma forte dinãmica social, onde a o associativismo juvenil, estudantil e desportivo é cada vez mais uma força de concertação social, que deverá passar pela reafirmação da missão do IPDJ, em face de uma nova realidade e dos novos focos de intervenção, que determinam um novo posicionamento estratégico para a área da juventude e do desporto.
Ainda há muito caminho para percorrer nesta linha de afirmação, como é normal neste setor, impondo-se um trabalho, de grande proximidade junto dos stakeholders, dos jovens e das suas organizações, capaz de acompanhar os novos dinamismos da condição social juvenil, dos novos desafios do sistema desportivo, do sistema educativo nacional e, da nova geração de políticas públicas locais da responsabilidade das autarquias no contexto regional, num posicionamento de capacidade renovada.

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