Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

Labirintos da personalidade

O primeiro Homem era português

Labirintos da personalidade

Escreve quem sabe

2021-10-24 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Conviver ou trabalhar com pessoas, e para pessoas, é extremamente difícil. Pelas personalidades, pela a característica de terem um humor inconstante. Entendemos, normalmente, por “pessoa difícil”, aquele/a que nunca está satisfeito/a. É aquele/a, a quem a expressão popular dita de ter um “temperamento ou génio forte”. Aquele/a que é inconformado/a e que levanta sempre questões onde, não existem, e que quer e deseja tudo “à sua maneira”. E as “pessoas difíceis”, estão em todo o lado, desde o círculo social de amizades, no trabalho e até na esfera familiar. Por exemplo, o/a amigo/a que está sempre “do contra” e que inflama a cada vez que alguém tenha uma opinião contrária à sua e se prende (quase como uma obsessão) em detalhes sem importância que resultam em discussões. Um outro exemplo, o/a chefe ou colega de trabalho, que desgasta pela própria presença, em que não se percebe, em que dia está - no bom ou no mau. Tem dias em que se mostra recetivo/a a escutar, mas sempre com uma atitude defensiva e de desconfiança. Tem outros dias em que, só um simples “bom dia”, pode desencadear uma discussão. Importa clarificar que, pessoas que são desconfiadas, na verdade, estão a espelhar nos outros a sua verdadeira personalidade. Normalmente, são mal-intencionadas com terceiros, e temem que outros lhes possam fazer o mesmo. Como consequência, tornam-se vigilantes e atentos/as a tudo, e, portanto, desconfiam de todos. Num outro aspeto de reflexão, não existem famílias perfeitas. Um familiar, por exemplo, que está sempre atento/a a “possíveis falhas” e sugere sugestões (na essência manipulativa de mandar), como tratar da casa, como cuidar dos filhos/as, também se enquadra no estatuto de “pessoa difícil”. As “pessoas difíceis”, tem sérios problemas em serem aceites pela sociedade, não conseguem por exemplo, uma amizade/relação sólida, de respeito e duradoura. Alguém que está constantemente a “arranjar” problemas, acaba por não ter credibilidade de boa pessoa. Quais as causas que levam a ser uma “pessoa difícil”? Um passado, em que foi depreciada, em que não lhe deram “valor”, um crescimento sem afeto ou atenção. Pessoas que não conseguem amar, porque não foram amadas. De destrinçar dois tipos de posições perante a vida. As pessoas que tiveram um pobre desenvolvimento emocional, mas que conseguiram superar o ciclo e passaram a ter outra visão projetada para outra direção, isto é, “passei por isto, mas quero ser diferente”. As pessoas, por outro lado, que foram “desprotegidas” emocionalmente e que nunca conseguiram ultrapassar, ou porque não conseguem, e vem como “normais”, determinados comportamentos, ou porque interiorizam que, “Se eu sofri, os outros/as não são mais do que eu”. Mas as “pessoas difíceis”, embora sem muita consciência do impacto das suas ações e atitudes, tem muito mais a perder do que a ganhar na vida. Ficam na solidão. Conviver com “pessoas difíceis” é um verdadeiro labirinto. Mas pode-se sempre proteger-se em prol da sua saúde mental. O primeiro ponto, é nunca perder o autocontrolo. Neste sentido, deve-se escutar mais do que se falar. Quanto mais escuta e fala, não se prejudica, pois não fala o que não deve, logo o que não disse, não é usado contra si. Por mais que se justifique perante uma “pessoa difícil”, esta estará, sempre convicta que tem razão. Assim, porque se vai desgastar emocionalmente e mentalmente?! Neste sentido, escute e quando lhe fizer a pergunta: “Não diz nada?” apenas interrogue “Já está?” e siga o seu caminho. Nunca permita que lhe estraguem o seu dia, neste sentido, se alguém o/a perturbar deixe- o/a falar e conte os números para si, de 50 para trás (ex.50, 49, 48, 47…) ou pense em um dos momentos mais felizes da sua vida. Isto porque, o cérebro, não consegue concentrar-se em duas situações ao mesmo tempo, e vai focar-se essencialmente na que está a pensar, e por conseguinte, “desligar-se” do resto. É difícil sem duvida alguma, controlar as emoções diante de injustiças, e o choro muitas vezes é inevitável. Chorar é terapêutico, mas nunca à frente das pessoas erradas. Telefone a um amigo/a e desabafe. As boas palavras confortam o coração. Lembre-se, podemos mudar a nós próprios, o que sentimos e para onde vamos. Não podemos exigir que o outro mude, se o próprio não o desejar. Pessoas infelizes tendem a atribuir a responsabilidade de serem infelizes a terceiras pessoas como se “os outros lhes fizessem mal” mas na realidade, o problema é das mesmas apenas, que estagnaram no campo emocional e não conseguem “dar para receber” amor.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

26 Junho 2022

A placa

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login Seta perfil

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a Seta menu

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho