Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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“A escola educa, a família ensina?”

Histórias de vida quem não as tem...

Escreve quem sabe

2015-02-24 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Sexta-feira passada. Este é o tema de uma excelente tertúlia num agrupamento em Famalicão.
Pais, professores, técnicos de psicologia e ação social, à volta de umas quantas mesas, com pequenos arranjos de flores, agradavelmente recheadas de doces e acompanhadas de uma chávena de chá, propuseram-se a conversar sobre educação: o papel da escola, o papel da família.

O tema proposto, inesgotável por certo, tem merecido nestes últimos tempos um olhar muito atento por parte de investigadores de todo o mundo, fazendo surgir um sem número de estudos e teses que refletem posições, por vezes antagónicas, no sentido de perceber onde começa e onde pára a participação da família na escola e vice-versa.
E neste início e fim, de um caminho onde muitas vezes tentamos colocar semáforos, atentemos na cor intermitente do amarelo (aquela que menos tempo é visível), que apenas requer a nossa ATENÇÃO: a passagem do verde para o vermelho; a passagem do “pode seguir” para “pare”; a passagem do “livre” para o “proibido”; a passagem do “entre” para “saia”; a passagem do “está tudo bem” para “temos um problema”; a passagem do “aprende bem” para “não aprende”; a passagem do “bem educado” para o “mal educado”; a passagem do “bem-vindo famílias” para “família não entra”; a passagem da “escola de todos” para “escola de ninguém”; a passagem… a passagem… e o pedido de atenção. Esse mesmo, o amarelo intermitente que chama a nossa ATENÇÃO.

A luz do semáforo que nesta tertúlia esteve sempre ligada. Entre a presença e ausência dos TPC, ao horário de trabalho dos pais, ao desenvolvimento pessoal e social dos nossos alunos/filhos, aos valores veiculados pelas famílias e pela escola, ao trabalho em rede e de parcerias, ao tempo de qualidade e em quantidade,… o que resultou sempre desta nossa partilha foi a ATENÇÃO.
A atenção da escola e da família, naquele que é o foco de qualquer grande teoria de educação familiar e escolar: o aluno; o filho. E se os papéis são inconfundíveis, como pais ou professores, eles se complementam ao invés de se sobreporem, porque fazem parte do mesmo caminho onde fomos colocando semáforos. ATENÇÃO.

Um processo que permite detetar e processar mais rapidamente o estímulo que recebemos, tornando-o consciente e operável. E esta atenção, agora focalizada no aluno/filho é exatamente a mesma quando visualizada pelo professor ou pai. A convergência de dois olhares sobre um único foco que acontece porque foi exercida a atenção. Porque o amarelo intermitente esteve lá. Porque professor e pai se sentaram a uma mesa, que pode ser igual àquelas em que estivemos sentados, com uns pequenos doces e uma chávena de chá aromatizados por pequenas flores, e fizeram convergir a sua atenção num único foco: o do seu aluno, o do seu filho. Iniciou-se o processo das relações escola-família; iniciou-se o processo da escola que ensina e da família que educa ou vice-versa; iniciou-se o processo da ATENÇÃO.
A escola educa? A família ensina? Sem dúvida: basta estarmos atentos.

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