Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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“Aprender e ser”

Quem me dera voltar a ser Criança

Voz às Escolas

2015-05-07 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Há momentos em que o investimento de uma vida dedicada a partilhar e a receber conhecimentos, assumindo a liderança de uma organização tão peculiar quanto o é uma Escola, ganha sentido e vemos reforçada a determinação em continuar a trabalhar em prol da formação daqueles que hão de, um dia, assumir o seu papel ativo numa sociedade que todos pretendemos que seja mais justa, mais altruísta e mais apta a enfrentar os desafios inerentes à evolução dos tempos.
Não podemos camuflar o facto da tarefa ser árdua e, frequentemente, geradora de conflitos, conflitos decorrentes da necessidade de estabelecer regras e metas a atingir, independentemente dos constrangimentos internos e externos que condicionam o trabalho das lideranças, por mais fortes que sejam, tendo em conta que nenhum líder responde, em absoluto, às expectativas de todos aqueles que lidera. Sempre assim foi e sempre assim há de ser, pela especificidade da nossa condição humana.
Contudo, é irrefutável a constatação de que uma liderança alicerçada em objetivos bem estruturados e exequíveis, em que predominam a exigência e o rigor, aliados a um clima de reconhecimento e enaltecimento dos resultados, contribui, sobremaneira, para atenuar o impacto dos momentos de desalento e de questionamento que nos assolam, tantas vezes, pois nem sempre a visão estratégica do líder é, de imediato, entendida e, sobretudo, aceite por aqueles a quem convém a pacata continuidade dos costumes enraizados, mesmo quando têm consciência de que em educação não se conjuga o verbo estagnar.
Felizmente, é residual o número daqueles que continuam a olhar com desconfiança a inovação e a mudança, convictos de que as aprendizagens se fazem apenas dentro das quatro paredes de uma sala de aula, alheados do mundo real e das condicionantes da massificação do ensino, porque as assimetrias são tão assustadoramente evidentes que a escola tem que alargar o seu domínio físico e preencher as lacunas socialmente instituídas, através da oferta de novos espaços e de novas formas de contacto com o desconhecido, numa luta desleal que nem sempre é frutífera.
O Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio prima pela forma como os seus profissionais vivem a escola, uma escola cujo lema, “Aprender e Ser”, é bem significativo da consciencialização de que o homem vale pelo que sabe e pelo que é, razão pela qual os valores foram revitalizados, num tempo em que não raras vezes parece que vale tudo, como se o facto de estarmos sujeitos a uma recessão económica nos privasse de consciência e tivéssemos sido programados apenas para transmitir conhecimentos científicos, descurando a educação para os valores e para a cidadania, parte essencial da formação de qualquer ser humano.
Nem todos os alunos serão, no futuro, “doutores”, mas todos serão homens e mulheres com responsabilidades sociais num país que se diz democrata e em que muitos entendem a democracia como sinónimo de anarquia, de atropelo às mais elementares regras de respeito pela pessoa, de aceitação de atos que em tudo contrariam a racionalidade que sustenta a conduta expectável de quem deve discernir o que é e o que contaria o que é, no mínimo, eticamente correto.
A escola de hoje dista, claramente, a todos os níveis, da escola de outrora, não se revendo em práticas atrofiadas, por mais produtivas que sejam, tendo em conta as caraterísticas daquele que passou a ser o seu público alvo, exigindo-se-lhe que cumpra a dupla função de ensinar e de ser corresponsável no educar, mas há princípios que são inalteráveis, por mais vanguardistas que sejam os professores, e dentre eles os líderes, na defesa das leis pelas quais ainda se rege a esmagadora maioria das pessoas.
O que seria da sociedade se a escola se demitisse da sua missão e caminhasse de olhos fechados…

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