Correio do Minho

Braga, terça-feira

“Avante!”: a voz que perdura

Ser de Confiança

Ideias Políticas

2016-02-23 às 06h00

Carlos Almeida

São já 85 anos ao serviço dos trabalhadores e do povo português. O jornal “Avante!” - órgão central do Partido Comunista Português - completou no passado dia 15 o seu octogésimo quinto aniversário. Assinalar a efeméride é pois, não só um acto de enorme valorização do papel que desempenhou ao longo da história de luta e resistência do povo português, como também um justo tributo a todos quanto contribuíram, nomeadamente durante 43 anos de regime fascista (entre 1931 e 1974), para a sua impressão e ampla divulgação.

Foram estes homens e mulheres que no desempenho das tarefas do seu partido fizeram do “Avante!” o jornal comunista que mais tempo resistiu na clandestinidade e que tão determinante foi para o derrube do fascismo.
Porém, ao assinalar-se tão importante momento da vida colectiva dos trabalhadores portugueses, impõe-se a questão de como fazer do “Avante!” um meio de informação mais abrangente, mais capaz de levar mais longe as vozes silenciadas e as palavras esquecidas.

Considerando a realidade mediática nacional e internacional, em que a propagação massiva de uma só voz toma conta da generalidade dos grandes meios de informação, é cada vez mais urgente garantir a existência e o alargamento de canais alternativos, independentes dos grandes grupos económicos e financeiros, em que dê espaço às lutas dos trabalhadores, à solidariedade entre os povos e às justas aspirações das populações.

Perante o quadro de concentração do poder mediático e da monopolização dos seus meios, não resta outra alternativa ao “Avante!” senão assumir-se cada vez mais e mais como esse canal alternativo, dispondo de vários formatos, onde se pode ler aquilo que não se lê em nenhum outro jornal, onde se informa aquilo que mais ninguém quer informar. Não é pois de isenção que se trata, mas de tomar partido, de tomar posição num combate desigual, ficando do lado dos mais desfavorecidos, dos que, por norma, não têm voz. Não é, também, de imparcialidade que falo.

Ao “Avante!” cabe assumir-se, sem preconceitos, como o jornal comunista, órgão de classe que sempre foi, aproximando-se cada vez mais dos que dão sentido à sua existência - os trabalhadores. Mas cabe-lhe ainda abrir-se mais ao mundo, expandir as razões da luta por uma sociedade mais justa, ultrapassando as fronteiras do colectivo partidário, afirmando-se como instrumento de informação alternativa, mas também de formação de consciências social e política.

Os dias que vivemos não são fáceis e parece-me que muitos já perceberam a influência e o poder dos meios de informação. Em Portugal, são meia dúzia os grupos proprietários dos principais meios informativos. Todos eles têm fortes ligações ao grande capital. É por isso natural que defendam os seus interesses e objectivos de concentração de riqueza e aumento da exploração. E fazem-no através do mais variado e sofisticado conteúdo - programas noticiosos, entretenimento, publicidade, etc. -, muitas vezes dando a ideia de imparcialidade e pluralismo, sendo esse um dos maiores perigos porque faz crer que tudo acontece pela ordem natural das coisas.

No mundo informativo tudo conta: o que não é dito, mas também o que é, bem como a forma como se diz.
Assim, creio ser deveras importante que cada cidadão, quando confrontado com determinado conteúdo informativo, saiba quem é o responsável pela publicação, e não estou a falar do jornalista, tantas e tantas vezes vítima ele próprio da exploração e da precariedade.

A ideia fundamental é que cada um saiba de onde vem e o que motiva aquilo que vê, ouve e lê. Que ninguém se deixe levar nas teorias do rigor jornalístico e do critério editorial. Isso é conversa fiada. O que vemos nos telejornais e lemos nas notícias todos os dias não passa de uma estratégia de contaminação do poder dominante. Eles não o assumem, mas dizemo-lo nós, da mesma forma que dizemos que o “Avante!” se assume como jornal dos trabalhadores e das camadas mais desfavorecidas da população.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.