Correio do Minho

Braga, terça-feira

“Descartar” pessoas

O seu a seu dono!

Escreve quem sabe

2016-05-22 às 06h00

Joana Silva

Viver e o sentir tornou-se de certa forma volátil e efémero. Sobreleva uma nova forma de comportamento em torno das relações interpessoais uma espécie de jogo que se traduz no “usar e deitar fora”. É o que se diz na gíria, o “descartar”. “Descartar” envolve as pessoas que tendem a servir os seus interesses imediatos e quando aqueles de quem se servem não tem mais “serventia” deixam de dar atenção sem algum tipo de remorso pela conduta inadequada.

As relações interpessoais transformaram-se num jogo de interesses. Um dos ditados populares mais emblemáticos afirma que “Os amigos vem-se sobretudo nos momentos menos bons”. E há quem acrescente que “Quando se tem poder, não faltam amigos. Quando não se tem nada para dar ou oferecer desaparecem.”

Certamente que já lhe ocorreu algumas destas situações: algum(a) colega de trabalho que lhe pediu ajuda para determinado projeto e mesmo tendo as suas tarefas para fazer prestou auxilio; aquele(a) colega que tive um problema no seu relacionamento e por solidariedade e empatia despendeu horas e horas em dialogo com ele(a) a fim de apaziguar a dor que sentia privando-se de outras atividades/tarefas que eram importantes para si; aquele (a) amigo (a) que outrora fez tanto, ajudando-o(a) e agora passa por si e finge que não o (a) conhece.

Esteve portanto sempre disponível em prol dos (as) outros(as) mas quando precisou de alguém que o escutasse simplesmente, estavam todos(as) indisponíveis e todos(as) tinham imensos afazeres. Situações pontuais acorrem. Mas quando situações como atrás descritas ocorrem sistematicamente despoletam emoções pouco agradáveis, como por exemplo, a tristeza e até revolta.

Existem dois tipos de pessoas: as que tem compaixão e empatia pelos outros (as) e que manifestamente são solidarias e prestam auxilio/apoio e por outro lado, as pessoas que se preocupam apenas consigo próprias, como se os outros(as) numa espécie de atitude “parece que todos lhe devem”. Por norma, estas pessoas tendem a não se importar com os problemas dos outros mas quando os problemas voltam à sua vida voltam novamente a procurar o apoio emocional … mas nada muda na dinâmica do “usar e deitar fora”.

Devido a estas situações as pessoas tornaram-se mais desconfiadas fruto dos valores menos positivos que cada vez ganham maior relevância na sociedade : competição, deslealdade, ganância, cobiça etc. Quando já não obtém do amigo outrora sempre disponível (porque a dado momento compreende ou apercebe-se que a amizade é unidirecional - apenas de um lado) a mesma atenção e dedicação, o amigo desonesto tende a revelar-se de má fé ou mal intencionado. Mas atenção, “comprar uma guerra” pode ser colossal mesmo para quem tem razão (sobretudo para quem tem uma personalidade mais impulsiva e frontal) face aos acontecimentos pouco éticos.

O amigo desonesto pode mascarar um perfil de vítima quando na realidade a vitima é outra. Encaram o papel de atores manipulando com a invenção até de histórias tristes para captarem as fraquezas que mais tarde usam como trunfos. A melhor forma de lidar com este tipo de pessoas desonestas é através da assertividade ou do silêncio. Sem discussões, sem argumentos a outra pessoa nunca terá margem para o(a) agredir verbalmente seja com o que for, porque não ripostou assim não se poderá fazer de vitima.

E acredite que o silêncio doí. É uma estratégia para lidar com pessoas desonestas que tem por intuito passar a imagem do que não são ou pretendem denegrir a imagem de alguém. Para este processo é necessário duas pessoas e quando só existe uma não pode haver discussão. Caso não haja a pretensão de cortar relação sempre pode optar por dizer “ Desculpa. Não vai ser possível, estou ocupada(o)”. Não está a ser igual, apenas se está a proteger. Pessoas desonestas, mais cedo ou mais tarde, ficam sós…

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