Correio do Minho

Braga, terça-feira

“O planeamento de hoje”

O que nos distingue

Ideias

2016-05-16 às 06h00

Filipe Fontes

Ao longo do tempo, o planeamento das cidades conheceu um contexto e sistema de instrumentos de actuação relativamente estabilizados e consensuais (ainda que de diferentes abordagens e práticas).
Sem qualquer valorização qualitiativa dos mesmos, foram estes que contribuíram para o desenho e transformação das cidades, respondendo a muitas das suas interrogações e necessidades.

Hoje, tal como em muitas outras realidades, este contexto e sistema instrumental de gestão e transformação da cidades encontra-se em crise, revelando-se incapaz não só em responder assertivamente à mudança instalada e à realidade socioeconómica entretanto emergente e, cada vez mais, generalizada, como também em compatibilizar-se com o Tempo da cidade, um Tempo acelerado, onde tudo apresenta ter de ser feito instantaneamente, como se pensar e fazer fossem uma, e só uma, realidade.

Em paralelo, assiste-se hoje também à afirmação generalizada, dir-se-á mesmo, imposição de alguns conceitos que, não sendo propriamente novidade, são hoje “moda” e presente no planeamento actual. São eles o plano estratégico, a multidisciplinaridade, a competitividade, a transversalidade e a participação pública (sendo que, talvez a mais relevante - sustentabilidade - ficará para texto autónomo).

Não colocando em causa a respectiva importância destes conceitos, hoje, fica a sensação, que se revela cada vez mais instalada, que os mesmos são palavras indefinidas, de alguma forma vãs, utilizadas não pela percepção e conhecimento do seu real significado e importância mas porque são “palavras da moda” que qualquer plano dito contemporâneo e de qualidade deve ter.
Quantos planos ou relatórios, hoje produzidos, não incluem, e repetem, estratégia, competitividade, multidisciplinaridade, …, resultando no fim uma sobreposição de documentos iguais, vagos, nada alimentando do ponto de vista da decisão e operacionalidade?

Porque, na verdade:
1. Estratégia é o desenho de um caminho para atingir um fim que deve ser coerente com as causas e os meios disponíveis para materializar esse conjunto. Não é um conjunto de “boas práticas” ou “enunciação de princípios” genéricos. Na verdade, e sendo assertiva e eficaz, uma estratégia não é passível de repetição. Nem réplica. Apenas de estudo e aprendizagem. Em proveito futuro para a construção de outras estratégias. Não de cópia!
2. Competitividade não é necessariamente competir no sentido de “tentar chegar primeiro”, pouco importando como e quando. Antes, é criar as melhores condições de estabilidade, desempenho e rentabilização para chegar melhor e alcançar os objectivos traçados. É ser capaz de, usando estas condições, alavancar novos desafios e ambições;
3. Multidisciplinaridade não significa a soma de saberes e actividades, cada um afirmando o seu domínio e conhecimento. Antes é a partilha e diluição, diálogo e concertação no recurso das qualidades de cada um para construção de um projecto comum!
4. Participação pública significa colaborar na construção da cidade, contribuindo com a visão de cada um sobre o interesse de e para a comunidade. Deve ter sempre o interesse comunitário á frente e evitar a opinião individual e acantonada de cada um.

Hoje na cidade, a “época” dos planos estratégicos, de competividade e multidisciplinaridade… ou seja, uma “época” que deverá ser de descoberta e identificação, de afirmação de caminhos capazes, de partilha de esforço e conhecimento, de assertividade e concertação para todos serem melhores… resta saber de assim é. E se algum dia será…

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