Correio do Minho

Braga, segunda-feira

“Obra Coletiva”

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Voz às Escolas

2016-06-06 às 06h00

João Andrade

Estamos, mais uma vez, face ao final de um ano letivo. Ainda cedo para balanço (faltam as avaliações finais e toda a intensidade, para alunos, famílias e professores, associada a esse momento crítico, que são os exames nacionais), mas algumas reflexões já se perfilam: Uma, primeira, é a importância que o ordinário e o extraordinário têm, todos os anos, na construção do caminho que, como entidade educativa, temos por missão trilhar: todos os dias um vasto conjunto de profissionais, docentes, técnicos educativos, não docentes e alunos, converge para os espaços que constituem o agrupamento e cumprem, com zelo e dedicação, aquela que é a sua missão: garantir o ato educativo, conforme preconizado no nosso Projeto e currículos nacionais. Este trabalho coletivo e partilhado, de formigas conscientes e diligentes, garante a base dessa missão superior que é preparar gerações para um futuro, que se deseja realizado e pleno.

Recentemente, numa ação de formação, associada ao Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, em que se pretende que as escolas elaborarem um Plano de Ação Estratégica de Promoção das Qualidades das Aprendizagens, foi num inquérito aos participantes - todos dirigentes de estruturas escolares - perguntado há quanto tempo desempenham a função de maior importância na escola: todos responderam um vasto número de anos, tantos quantos os que cada um tem na sua carreira de professor. Porquê? Porque esse é, legitimante, o seu entendimento de qual a mais importante e primordial função que já desempenharam na sua carreira: no espaço da sala de aula, ensinar e preparar.

Mas numa escola que se intenciona transcender, este trabalho de base, fundamental, ordinário, complementa-se com ímpetos extraordinários de vontades e esforços, intensivo e conjugados, que produzem obras e momentos educativos mais pontuais, mas não menos significativos nesse desiderato de preparação plena das nossas crianças e jovens e de concomitante construção de uma identidade coletiva. Não é fácil explicar a realização e o sentido de cumprimento de missão que temos por pertencer a uma instituição que, amiúde, é capaz de nos proporcionar tais momentos.

Reportando-nos somente às últimas duas semanas e a momentos maiores, temos de obrigatoriamente relevar alguns. Começamos pelo lançamento do livro “O mundo escrito a branco”, resultado da aventura pelo mundo da escrita e da ilustração por parte de 47 crianças, entre os oito e os nove anos, de duas turmas da Escola Básica n.º 1 de Nogueira, ao longo do presente ano letivo. Coordenado pelas duas docentes das turmas envolvidas, que integraram, pertinentemente, a produção da obra nas etapas dos respetivos programas letivos, a mesma conta a aventura de duas crianças que, viajando de continente em continente, se apercebem das mais importantes problemáticas atuais, sobretudo as de cariz social e ambiental. No desenrolar da história, imaginativamente ilustrada pelas crianças, para cada uma das problemáticas, estas encontram soluções que envolvem valores, sentimentos e fantasia.

O trabalho não foi só dos alunos e professores, mas envolveu as respetivas famílias. Para cada etapa e problemática, era suposto que cada criança apresentasse um possível caminho de solução. Caminho esse debatido e construído com a participação da respetiva família. Depois, em coletivo, decidiam qual o que iriam adotar e seguir. Dedicação e esforço geram sinergias a todos os níveis. Foi o que sucedeu com a Autarquia, na pessoa da Vereadora da Educação e Cultura, Dr.ª Lídia Dias, que imediatamente conferiu o patrocínio que tornou possível a edição e concretização do sonho coletivo, tornando-se assim, também, parte integrante do mesmo.

Na sessão de lançamento do livro, no passado dia 20 de maio, era impossível não constatar o impacto que a construção da mesma tinha nas quase trezentas pessoas que estiveram presentes no evento.
Outro momento maior, já neste último sábado, o Departamento de Educação Física e Desporto do Agrupamento e o Centro de Formação Desportiva de Ginástica da Escola Secundária de Alberto Sampaio, levaram, em mais um ano, a bom final o seu Festival de Ginástica no Auditório do Parque de Exposições de Braga.

Com quase duas centenas de crianças em palco e mais de um milhar de espetadores na bancada, assistiu-se a mais um espetáculo memorável e ritmado, este ano sob uma temática evocativa cinematográfica. Este momento de alto nível, de apresentação e culminar do trabalho de um ano inteiro das diferentes classes, só é possível, mais uma vez, pelo envolvimento e esforço coletivo de professores, alunos e famílias.

Sucintamente, outros quatro momentos, nas mesmas últimas duas semanas: a “Artes em Festa” da Escola Secundária, com exposições de excelentíssimos trabalhos de artes visuais dos alunos do Curso Científico-Humanístico de Artes Visuais; a sessão de entrega do prémio do concurso “30 anos de Portugal na União Europeia”, promovido a nível concelhio pelo Jornal Diário do Minho” - em parceria com o Centro de Informação Europe Direct de Ponte de Lima e do deputado europeu José Manuel Fernandes e ganho por um grupo de sete alunos de Economia do nosso 12.º ano.

O prémio, entregue em sessão que contou com o próprio José Manuel Fernandes, consistiu numa visita ao Parlamento Europeu para sete alunos e respetiva professora, bem como num tablet e num assinatura digital do jornal que promoveu a iniciativa. Ainda na semana transata e em resultado de todas as atividades de promoção do ambiente e de recolha de resíduos recicláveis, foi mais uma vez içada, em cerimónia que contou com o Vereador Altino Bessa, a bandeira da Eco-Escolas na Escola E.B. 2/3 de Nogueira.

As significativas atividades de recolha só são, mais uma vez, possíveis através da conjugação coletiva de esforços de todos os integrantes da comunidade; um outro e último momento de congregação de vontades múltiplas - este também com significativa colaboração das Associações de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento -, a participação ativa na festa que é a Braga Romana, quer seja nas festas que são os desfiles diurno e noturno, com crianças e jovens de todas as faixas etárias, quer na presença no espaço fixo no Rossio da Sé, quer nas atividades de animação e promoção do evento, pelos nossos alunos do Curso Profissional de Artes do Espetáculo - Interpretação. Apropriando-nos das palavras da Ex.ma Vereadora da Educação e Cultura na cerimónia de lançamento do livro “O mundo escrito a branco”, somente termos a nossa quota-parte no ajudar a concretizar momentos e atividades como os atrás referidos, é que dota de sentido o abandonar-se aquele que é o nosso primeiro e último espaço, a sala de aula.

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