Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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“Os shorts de António José Seguro e os slips de Pedro Passos Coelho”

Migrações e Estado-Providência

Ideias

2014-03-07 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Com respeito à roupa interior dos políticos, e na rubrica ‘Correio Indiscreto’ do C. Manhã de 23.1.14, de Paulo Pinto Mascarenhas, deparámos com algo que nos suscita certas observações e alguns comentários.
Socorrendo-nos do que aí se dá nota, num tempo em que “o Independente” publicara um especial sobre tal temática, respiga-se o que resulta das entrevistas então feitas a Seguro e a Passos Coelho, na altura respectivamente líderes das JS e JSD, e suas curiosidades.
E se o primeiro respondeu «uso shorts porque é mais cómodo e o dermatologista aconselhou», mais revelando «só não uso quando durmo», o segundo afirmou que «têm de ser slips com a muito útil abertura. Sem elásticos flácidos. Que não se metam no rabo».
Sendo certo que gostos não se discutem e que os hábitos são de respeitar, a grande verdade é que, apesar do tempo já decorrido as divergências e diversidades de gostos, de pensar e de agir afigura-se-nos continuarem a perdurar no tempo, com reflexos e sequelas funestas para todo um povo, apesar dum relacionamento muito “cantado” de padrinho e afilhado em casamentos de antanho, e, admita-se, de eventuais, mas sempre possíveis, jogos de bisca lambida entre ambos.
Às escondidas e fora de quaisquer olhares de estranhos, note-se, até porque publicamente se vêm comportando como ferozes adversários e quase como “o cão e o gato”, tais são as interpelações, acusações e palavras que trocam entre si na “arena” da Assembleia da República, um local em que devia ser colocado mesmo um cartaz de “Interdito a pessoas sensíveis, educadas e inteligentes”. E tudo isto, cremos, não será tão só por uma opção entre slips e shorts e a prevalência de um ou outro tipo ou modelo de roupa interior.
Aliás “slipados” e sem qualquer “flacidez de elásticos” está todo um povo, a viver em dificuldades e com os ordenados e pensões cada vez mais finos e estreitos e a meterem-se no rabo como se fossem autênticos “fios dentais”, quando a grande verdade é que os políticos continuam a viver outras e mais agradáveis realidades. Em incontornável desafogo e vivências de facilidades, bem remunerados, sem medo de cortes ou de falhas no vencimento no fim do mês, alheados e não sentindo a crise, pois só assim se compreendem os despautérios, a loucura e a insensatez de muitos dos seus actos e das suas palavras.
Alguns deles, diga-se, até usam e usufruem cada vez mais das “ceroulas” cómodas, confortáveis e aconchegantes do poder político, normalmente ocupando lugares de alargados e seguros vencimentos em bancos, empresas públicas, institutos e organismos da administração, governação e poder, descansando e dormindo sem qualquer preocupação na escolha de shorts ou slips como aqueles dois.
Até não os usando quando dormem, admita-se, mas ninguém tem nada a ver com isso, ainda que se nos afigure nada despiciendo e de todo relevante que já nas próximas eleições, e em campanha, em vez de balões, esferográficas, porta-chaves, chapéus, etc., os seus partidos fizessem ofertas de shorts e de slips, de cor rosa e laranja, evidentemente, para captar votantes.
E muito naturalmente alguns dos candidatos ou candidatas se tornariam muito mais sedutores, apelativos, convincentes e capciosos se eles próprios dessem o exemplo da sua adesão ao partido e importância na vida política, sendo de todo inquestionável e certo que o número de abstencionistas diminuiria, já que os eleitores poderiam todos dar asas à sua imaginação, a recônditos desejos e até a esconsas tendências.
E sem qualquer escândalo, reconheça-se, sendo igualmente inquestionável que seria muito mais agradável e menos maçador assistir a certos debates, discussões e discursos nas arenas políticas e nas TVs com os intervenientes em roupa interior desde que não ofendessem o pudor público nem assustassem as crianças.
Aliás estamos em crer que seriam muito mais perceptíveis e compreendidos os “porquês” desta e daquela intervenção, de um ou outro uso da palavra, de uma e outra interpelação e dos próprios apartes, que eventualmente até se compaginariam de todo com as verrugas, flacidez, obesidades, protuberâncias, rugas e graciosidades escondidas e alapadas em muitos dos figurantes “enroupados” na política.
Sendo óbvio que não estamos aqui a falar das suas muitas “verrugas” em termos de carácter, honestidade, seriedade, inteligência, lisura e verdade, o certo é que não há nada que impeça um cidadão comum de ter os seus devaneios e de dar largas à sua imaginação quanto às concretas imagem e figura em trajes menores dos seus políticos (do governo ou oposição), fruindo, gozando e apreciando com deleite todo um delirante imaginário.
Naturalmente muitas gargalhadas e sorrisos se soltariam, o que não deixaria de ser muito animador e reconfortante para quem vem sofrendo com a crise e com os “feitos” da nova, alargada e sempre renovada (!?) classe que Abril trouxe a este país, e que alastra e se multiplica como escaravelho num batatal.

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