Correio do Minho

Braga,

“Quem manda em casa”

Patologia respiratória no idoso

Escreve quem sabe

2013-10-20 às 06h00

Joana Silva

Existe um provérbio popular que diz “Casa do pai, escola do filho”. Outrora uma simples frase fazia obedecer: “Enquanto cá viveres debaixo deste tecto, quem manda sou eu”! Hoje as dinâmicas familiares alteraram-se desconhecendo-se, ao certo, por vezes “quem manda em casa” se os pais, se os filhos.

Os pais são os modelos dos filhos e os seus comportamentos/ acções reflectem o impacto positivo ou negativo no desenvolvimento da personalidade da criança. Não existem fórmulas mágicas que indiquem como educar uma criança. Existem sim estilos educacionais e estes podem ser do género: autoritário, permissivo e democrático. Saiba que , o estilo autoritário, é revelador de intimidação por parte dos pais aos filhos. Patenteia manifestamente uma comunicação “pobre” em que não há lugar para a exteriorização de sentimentos ou preocupações. No estilo permissivo, as emoções e os afectos estão bastante presentes, ao contrário das regras. Será o estilo permissivo que terá real destaque na análise deste tema. Os especialistas da educação, referem que nos últimos anos está em expansão este estilo na dinâmica familiar. Basicamente, os pais, tem vindo a assumir o papel de “melhores amigos” dos filhos, consentindo quase tudo, relegando para segundo plano o papel de “autoridade” parental. Mais concretamente, estas crianças cujos pais são demasiados permissivos tem dificuldades em aceitar o “não”.

Se em casa por exemplo, são habituados a que os pais sejam condescendentes nas suas vontades, à partida irão “estranhar” que em outros ambientes, como o escolar ou outro, não suceda o mesmo. Por forma a clarificar o anteriormente mencionado, consideremos um exemplo: um assistente operacional, chama a atenção sistematicamente a uma criança e diz-lhe que não pode jogar à bola naquele espaço pois pode, causar estragos. A criança por sua vez, reage negativamente e tem atitudes pouco próprias de comportamento que podem ser desde o insistir nesse comportamento e/ou até proferir palavras agressivas (chamar nomes, dizer palavrões…) No caso dos pais serem chamados à escola, frequentemente se percebe que tipo de dinâmica familiar está envolvida na audição de aspectos como: “ Em casa também faz o mesmo”, ou, “Não sei o que fazer mais já não o controlo”. Facilmente se constata que “quem manda em casa” são justamente essas crianças. Frequentemente, “fazem o que lhes apetece”, ditam horários: deitam-se e comem quando desejam por exemplo; ou utilizam o choro (mais até que a própria birra) para conseguirem os seus intentos, sendo que, os pais “amolecidos” emocionalmente atendem às suas vontades para que não haja mais tristeza ou simplesmente para vê-los calados; ou negoceiam, ou seja, pretendem a atribuição de um prémio ou presente se colaborarem ou realizarem algo para a qual no momento não estão muito motivados (exemplificando: execução dos TPC). Importa perceber que cedência não é sinonimo de gostar mais. Crianças que não são familiarizadas com o “não” tendem a ser pouco assertivas e daí poderão advir problemas de adaptação social. De modo, a que estas situações possam ser evitadas é necessário haver moderação e o estilo democrático é o mais aconselhado pois uma casa não deve ser “sem rei nem roque” (sabedoria popular), sendo que as crianças devem responsabilizadas pelo (im) cumprimento das regras, onde a (re)negociação implica espírito de partilha e expressão de emoções. É imprescindível impor limites e condições assertivamente.
Em jeito de conclusão, famílias perfeitas não existem mas uma coisa é certa “amor como o dos pais não há jamais!”

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