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Líder avaliza críticas

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Líder avaliza críticas

Ideias

2019-02-26 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

“Não te ressintas se alguém discorda de ti”,
(textos Xintoístas)

O antigo líder da bancada do PSD na Assembleia da República, o deputado bracarense Hugo Soares, tem sido um crítico feroz do presidente do seu partido mas, recentemente, o também presidente da Concelhia de Braga dos social-democratas, lançou igualmente algumas farpas ao seu companheiro de partido que preside ao município da capital do Minho.
A novidade surgiu na entrevista concedida há dias à Antena Minho e ao Correio do Minho, por coincidência, ou talvez não, numa altura em que se observa uma espiral crescente de contestação pública a algumas decisões de Ricardo Rio. Coincidência ou consequência, acaso ou efeito, o certo é que o presidente da Comissão Política de Braga não se coibiu de criticar algumas intervenções da autarquia bracarense.

Ao esclarecer que “se dissesse que o PSD e eu próprio concordamos com tudo aquilo que são as decisões da Câmara Municipal de Braga, seria fazer um mau juízo político de quem nos lê e ouve”, Hugo Soares disse o óbvio. Contudo, creio que as suas palavras também devem ser entendidas como justificação para algumas das críticas que têm sido tornadas públicas, inclusivamente por alguns autarcas da coligação de direita que governa o município. Convém sublinhar, no entanto, que essas mesmas palavras podem transformar-se igualmente na melhor chave para escancarar a porta de uma qualquer onda crítica.
Com vaga ou sem ela, o certo é que na entrevista o próprio Hugo Soares avalizou alguns dos sinais públicos de descontentamento e, mais do que isso, deu voz à insatisfação (ou desilusão) de uns tantos.

Ele próprio, aliás, ao responder, por exemplo, à questão da derrapagem financeira na construção do estádio, não só confirmou que os dados eram públicos, desmentindo implicitamente versões opostas, como reconheceu que “quem governa há cinco anos tem de ter a capacidade de assumir as suas responsabilidades”. Ora, esta constatação constitui, incontestavelmente, um recado com destinatário concreto: Ricardo Rio.
Daí decorre, conforme também foi sublinhado pelo mesmo Hugo Soares, que “uma situação como esta, que resulta numa penhora dos saldos bancários, parece-me que não foi bem gerida”. Haverá, claramente, “erros de alguém, porque uma câmara municipal não pode chegar ao ponto de ter saldos penhorados”, lamentou o dirigente do PSD antes de concluir que “haverá uma responsabilidade da Câmara Municipal de Braga em ter deixado a situação arrastar-se”. Isto, claro está, sem prejuízo do facto, consensualmente classificado como inadmissível, de se chegar ao ponto de permitir a penhora dos saldos bancários, facto que, naturalmente, também “demonstra um total desrespeito pela câmara”, mas diz muito quanto à apreciação política que é feita do presidente da autarquia e ao respeito e consideração que ele merece, ou não.

Mas na extensa entrevista Hugo Soares teve também oportunidade de se pronunciar, entre outros assuntos, sobre a reinstalação da feira semanal, sobre a reabilitação do S. Geraldo e sobre a política de mobilidade.
Em relação à primeira, o presidente da concelhia do PSD não hesitou minimamente em alinhar com as críticas generalizadas da oposição que, como tem sido amplamente noticiado, não tem poupado Ricardo Rio, a quem acusa de não cumprir as promessas feitas aos feirantes e de faltar à verdade.
A esse respeito, Hugo Soares disse discordar da solução imposta por Ricardo Rio que, como se sabe, passa por cortar semanalmente uma estrada. “Aquilo é mau”, frisou, explicando que “dá um ar quase ‘terceiro-mundista’ a uma cidade como Braga, virada para o futuro”.

Se em relação ao processo do S. Geraldo, um edifício propriedade da Igreja que o Município alugou por valores muito consideráveis e no qual ainda assume os valores da sua reabilitação, o dirigente social-democrata manifestou grandes reservas, até porque “não via como prioridade (…) o negócio”, já no tocante à mobilidade foi mais longe, expressando grandes preocupações.
“A par da financeira, a mobilidade é outra das minhas grandes preocupações, do ponto de vista de projecto de cidade”, disse o dirigente antes de avançar com a conclusão de que a circulação piorou.
O presidente da concelhia do PSD considerou que o trânsito “está pior por diversas razões”: porque “há mais carros, há mais gente, porque Braga está mais atractiva, vem mais gente para a cidade que traz o automóvel”, mas advertiu para a necessidade de “resolver alguns problemas”. Nesse capítulo não hesitou em lembrar que “Mesquita Machado teve a visão de construir uma circular externa à cidade” para considerar, naquilo que pode ser entendido como mais uma crítica a Ricardo Rio, que “nós já deveríamos estar a equacionar uma segunda circular externa à existente”.

Este breve balanço que incidiu em alguns aspectos da gestão da coligação de direita, não isentos de crítica, conforme ficou claro, deve ser visto à luz das próximas eleições para a concelhia, às quais o actual presidente se recandidata. E essa interligação assume particular relevância uma vez que ao marcar este acto eleitoral, aparentemente Hugo Soares disse ao que vinha: “decidi que era preciso haver uma clarificação interna no PSD em Braga” e “parece-me que a única forma de clarificar é ser candidato, dar a palavra aos militantes”.
Creio, portanto, e tendo em conta que foi o próprio dirigente que sublinhou a “necessidade de confrontar os militantes bracarenses com o caminho que temos percorrido até ao momento”, que também por essa razão a entrevista ganha maior peso político.

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