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Liderança e lugares comuns

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Liderança e lugares comuns

Escreve quem sabe

2020-04-10 às 06h00

Jorge Dinis Oliveira Jorge Dinis Oliveira

Com ou sem pandemias podemos encontrar imensos exemplos de liderança à nossa volta. Quando falo de líderes não o faço a pensar nos Martin Luther Kings ou Madres Teresas deste mundo. Penso nos nossos pares, Zés Marias e Marias Josés com quem nos cruzamos e lidamos diariamente.
Com ou sem pandemias podemos também confundir autoridade ou liderança formal com liderança adquirida e, embora possamos encontrar lideres que também tenham autoridade, os dois conceitos são diferentes.

Servus Servorum Dei, um dos títulos oficiais do Papa, significa servo dos servos de Deus e remete-nos para o que é a liderança. Liderar é servir e líder é aquele que cria mais líderes e não mais seguidores. O líder está ao serviço da sua comunidade, clube, associação, família, cidade, país.
Encontramos líderes que, sem qualquer tipo de autoridade, procuram e descobrem soluções para os desafios atuais. Desde a criação de equipas para, com impressoras 3D, produzir viseiras para profissionais de saúde, até à organização de voluntários para fazer as compras a quem é mais vulnerável.

Ao crescer tive o privilégio de observar as diversas dimensões de um líder que tem tanto de formal como de informal. Pude observar o meu pai nas diversas organizações que liderou, do Grupo Folclórico, passando pela Casa do Povo, pelas Juntas de Freguesia até às Escolas. Com ele e por causa dele tive oportunidade compreender um estilo de liderança de alguém que tanto está na linha da frente, sendo o rosto da organização, como nos bastidores, apoiando quem lidera. Com ele e por causa dele, tive o privilégio de perceber que um líder é alguém que assume as rédeas quando é preciso, mas não tem problemas em as largar, nem em preparar sucessores. Um líder que não só sabe que liderar é servir, como o aplica.

Observando o comportamento dos portugueses verifico que, com mais ou menos conhecimento, informação, razão ou emoção, temos sido exemplares na implementação das medidas de prevenção desta pandemia. Sei que muitos não cumprem as mais básicas regras recomendadas mas não confundo a árvore com a floresta.
Não partilho da visão de que necessitemos de um estado de emergência pois todas as medidas definidas pelos nossos líderes formais foram em primeiro lugar aplicadas ou exigidas pelos nossos líderes informais.

Este é um Estado de Emergência peculiar, com forças policiais assertivas com quem passeia na rua sozinho, enquanto permite que trabalhadores de setores não essenciais (se é que isto existe) continuem a trabalhar lado a lado, correndo riscos. Bons cidadãos não necessitam de leis para agir com responsabilidade e para maus cidadãos a lei muito frequentemente não é suficiente.
Não devemos assumir que os desafios globais serão resolvidos só por agências governamentais. Como podemos verificar, os governos não estão à altura de muitos dos desafios que são agora colocados.
As soluções para o futuro que chega vão ser encontradas por líderes que trabalham em conjunto para um mesmo propósito, salvar vidas e viver com saúde.
À maioria de nós, que ainda não aprendeu ou não quer ser líder, peço que apoie quem tenta encontrar e aplicar soluções.

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