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Voz às Escolas

2018-12-20 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

A liderança de uma escola/agrupamento não é tarefa fácil, e a pressão em que a tutela nos coloca, e coloca cada vez mais insistentemente, é terreno fértil para que os ânimos se exaltem, sobretudo em tempos de mudança, quando a mudança implica alterações profundas em práticas instituídas e enraizadas.
Mas, num mundo em constante mudança, com cada vez mais tecnologia e com maiores possibilidades de escolha, exige-se aos profissionais em cargos de liderança não só adaptação e aceitação da mudança “decretada”, mas, sobretudo, e tendo presente a sua influência nos aspetos organizacionais e de funcionamento das organizações escolares, um conhecimento profundo dos princípios subjacentes às alterações preconizadas, e uma enorme capacidade de diálogo e de partilha, questionando e contrapondo, condição única para o sucesso de qualquer mudança inevitável.

Obviamente, para que um líder decida apostar na mudança, a motivação é um fator preponderante, pelo que estou convicta de que um dos maiores obstáculos à apropriação da nova visão estratégica do Ministério da Educação passa pela pressão a que os líderes das organizações escolares têm estado sujeitos, enfrentando resistências internas, por parte dos seus pares, em resultado do descontentamento generalizado quanto à subvalorização de uma profissão que, não obstante as vozes de alguns velhos do restelo, é a base de qualquer sociedade, dela dependendo o seu desenvolvimento, a todos os níveis.
Assim, a abertura à aposta em novas ideias e em novas estratégias, decorrentes da mudança, carece de um olhar atento e cúmplice, por parte das diversas estruturas do Ministério da Educação, reconhecendo e fortalecendo o papel dos líderes, papel esse que pode condicionar o êxito do novo rumo das políticas educativas, caso os líderes não se apropriem de uma mudança que, pesem embora os constrangimentos próprios de qualquer mudança, era inevitável, sob pena da Escola deixar de ter condições para responder às atuais exigências da sociedade.

Aceitar a mudança é um desafio que exige tempo e energia, dois condimentos que, nos tempos que correm, começam a escassear, tal a sobrecarga de exigências com que os líderes se deparam, diariamente, face aos desafios da nova Escola, desafios esses que chegam sem as “prometidas” contrapartidas, ao nível dos recursos físicos, materiais e humanos,” emparedando” os responsáveis pelas organizações escolares, diariamente confrontados com a necessidade de comprometerem os profissionais de educação num processo inovador e promissor, mas para o sucesso do qual apenas podem contar com os recursos já existentes.

Os outros, aqueles que, pressupostamente, estariam inerentes à mudança, e em consonância com a especificidade e as necessidades de cada Escola, dependendo do livre arbítrio de estruturas de cariz meramente político foram, e continuam a ser, reanalisados de acordo com critérios cinzentos em que nem sempre nos revemos, sendo um dos principais obstáculos para qualquer liderança.
Em consciência, como podem os líderes passar uma mensagem de credibilidade sobre a sustentabilidade das mudanças em curso se, em matéria de compromissos anteriormente assumidos, nem todas as cláusulas do acordo têm sido cumpridas?
Antes que o tempo destrua a mudança, e os “fundos” se esgotem, é tempo de dar Voz às Escolas, através de momentos propícios ao diálogo e à partilha, “políticas à parte”.
Um Santo Natal e um Novo Ano muito Feliz para todos.

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