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Voz às Escolas

2019-02-14 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

A experiência é, indubitavelmente, o melhor recurso para ultrapassar os constrangimentos que vão surgindo no dia a dia de qualquer líder, sendo que à experiência deve estar associada a capacidade de harmonizar o conhecimento adquirido com a necessidade inquestionável de permanente atualização e predisposição para a inovação e a mudança.
Aliás, com a celeridade com que as transformações, aos mais diversos níveis, acontecem, a liderança transformar-se-ia num “estorvo”, para a evolução de qualquer organização, se o líder não estivesse recetivo a utilizar a experiência como mais valia para abraçar novos desafios, pesando os prós e os contras de algumas práticas, objetivando dar resposta às exigências de uma sociedade orientada por princípios que colidem, frequentemente, com a base humanista que lhe está, ou deveria estar, subjacente, e que se encontra bem refletida na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Declaração Universal dos Direitos da Criança.

Na Escola em mudança que temos vindo a construir, a sensibilização para os direitos humanos e para os direitos da criança, não obstante ser uma constante nas práticas instituídas, foi enriquecida com a recente publicação de alguns documentos, de que são exemplo os respeitantes à Educação Inclusiva e à Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, reconhecendo-se-lhes um papel relevante na sistematização das referidas práticas, o que comprova que nem sempre a mudança é sinónimo de anulação do caminho percorrido, devendo ser entendida como uma possibilidade de refletir, de rever e potenciar o investimento que fazemos para qualificar o sucesso dos alunos.

No entanto, a longa experiência e a inquestionável abertura para olhar a Escola numa perspetiva de futuro inadiável, não têm sido suficientes para evitar que algumas questões nos atormentem, seriamente, de que saliento a enfatização de uma “Educação Inclusiva”, defensora dos direitos de todos os alunos, quando, hoje, mais do que nunca, a Escola enfrenta, sozinha, os problemas decorrentes do aumento de casos de extrema complexidade, a nível social e familiar, em que os direitos de uma parte colidem com os direitos de um todo.
Assim, interrogo-me sobre a leitura que poderá estar a ser feita sobre a nova Escola, receando que alguns dos princípios que lhe estão subjacentes possam ser erroneamente interpretados, contribuindo para aligeirar a quota parte de responsabilização de algumas entidades, na procura de soluções para muitos dos problemas que a Escola enfrenta.

A experiência e a apropriação de uma mudança em que acredito e que, consequentemente, assumo, enquanto líder, conferem-me, salvo melhor opinião, o direito de “abanar” as estruturas a quem a Escola recorre, quando confrontada com situações que ultrapassam a sua esfera de competências, mas que interferem, seriamente, com os direitos consignados nas Declarações Universais proclamadas.
Não questiono a seriedade com que desempenham o seu papel, questiono, sim, e veementemente, a falta de celeridade nas tomadas de decisão, deixando a Escola a braços com problemas que interferem e condicionam o clima que deveria ser potenciador de melhores aprendizagens, de mais capacidades e de melhores atitudes.

Lidero uma Escola pública, uma escola que acolhe todos os alunos, indiscriminadamente, pelo que lidero uma escola que, não obstante a heterogeneidade do seu público, aciona todos os recursos ao seu alcance para que todos se sintam incluídos, respeitados nos seus direitos, independentemente das diferenças. Mas não há experiência, não há mudança, não há Declaração, nem Estratégia, que façam milagres, quando a solução para os problemas ultrapassa a esfera da Escola.

A tarefa é árdua e extremamente sensível, reconheço, mas, quando a Escola é chamada a prestar contas, ninguém se compadece com os resultados, mesmo quando condicionados por “culpas” que não lhe deveriam ser imputadas.
Concluindo, não falta experiência, é evidente a apropriação dos princípios subjacentes à mudança e, no entanto, sinto-me completamente limitada pela falta de respostas para cumprir a tal Escola de Todos e para Todos, em que os Direitos proclamados sejam respeitados.

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