Correio do Minho

Braga,

- +

Mais ruas com parcómetros: Rio recupera proposta socialista

Perdidos e achados

Mais ruas com parcómetros: Rio recupera proposta socialista

Ideias

2019-09-24 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

O presidente da Câmara Municipal de Braga e a maioria que o suporta consideram relevante, e bem, “promover uma maior rotação do estacionamento em zonas de elevada procura, como é o centro da cidade”. Ricardo Rio e a sua equipa acham, e bem, que “a rotação do estacionamento potencia a economia local” e que “a organização do estacionamento é uma forma de limitar o acesso automóvel”.
Em tese, estes considerandos que suportam a proposta do presidente da Câmara de aumento das zonas de estacionamento de duração limitada podem estar correctos, podem até ser determinantes para a obtenção dos benefícios que se almejam. Foi, aliás, esse objectivo, essa busca pela difícil tarefa de conciliar os interesses dos comerciantes e moradores com a organização do estacionamento no espaço público, que levou a gestão socialista a intervir nessa área. Ou seja, na prática, e no que toca especificamente a esta matéria, a anterior e a actual gestão não mostram grandes diferenças, perfilhando mesmo ideias idênticas. E nem adianta avançar com tímidas desculpas, como aconteceu com o actual edil ao alegar mudanças das circunstâncias: as reivindicações para aplicação de taxas nas ruas não são novas, muitas delas já existiam em 2013.

É certo que ao assumir o mandato, há seis anos, Ricardo Rio revogou a deliberação do anterior executivo quanto ao alargamento de estacionamento de duração limitada a mais 27 ruas. Porém, agora, o mesmo presidente da Câmara e a sua maioria decidiram “recuperar” 17 dessas ruas, o que demonstra uma de duas coisas: ou a revogação correspondeu então a uma manobra eleitoralista ou Rio reconheceu validade aos argumentos que suportaram a decisão de Mesquita Machado.
Qualquer que seja a resposta, a verdade é que este “regresso ao passado”, na feliz classificação do líder da oposição Artur Feio, labora num enorme equívoco, isto, claro está, se a Câmara estiver mesmo determinada a retirar automóveis do centro da cidade, o que não parece ser objectivo prioritário.

Não é preciso ser especialista em mobilidade para concluir que a decisão de fazer baixar a taxa dos parcómetros constitui um forte incentivo à utilização do automóvel no centro e, desse ponto de vista, é uma medida completamente inadequada porque apenas contribui para aumentar o trânsito e, desse modo, agravar o gravíssimo problema que afecta a urbe bracarense.
Se Ricardo Rio estivesse, de facto, deveras interessado em mitigar o problema, teria optado por apoiar a proposta do PS de zonamento das taxas dos parcómetros. Uma política desse tipo, contemplando claras diferenciações de taxas, permite à autarquia promover uma melhor organização do estacionamento e do trânsito e, dessa forma, baixar consideravelmente o volume de viaturas no centro da cidade. Acresce ainda que tal medida é bastante mais eficaz para a desejada e necessária rotatividade de estacionamento, obviamente desde que a sua implementação seja acompanhada da imprescindível fiscalização, coisa que agora também não acontece. E tal situação leva-nos para uma outra questão, que é a de se saber o que Rio pretende que seja a Polícia Municipal (PM).

Por aquilo que nos tem sido dado constatar ao longo dos quase seis anos que leva de “reinado”, o actual presidente da Câmara de Braga não terá a PM em boa conta. Se não, vejamos:
Este serviço municipal, que entrou em funcionamento em Junho de 2001, encontra-se na dependência política do ex-vice-presidente Firmino Marques mas está sem comando operacional efectivo desde há anos. Por essa razão ou por qualquer outra, para o caso isso será o que menos releva, uma boa parte das funções que poderiam e deveriam ser exercidas pela PM não o estão a ser.
A problemática do estacionamento abusivo – em segunda fila, nos passeios, em rotundas, curvas, baías de transportes públicos, acessos a parques e em outros locais que prejudicam a normal fluidez do trânsito - constitui um dos muitos paradigmas do quase total eclipse dos agentes da Polícia Municipal. Ou seja, deste ponto de vista, para os infractores Braga é um autêntico paraíso!

Mas mesmo no âmbito de outras competências de fiscalização, como, por exemplo, da mendicidade, da venda ambulante ou dos arrumadores de automóveis, o seu desempenho não é muito notório, bem pelo contrário.
E situação idêntica observa-se nos casos de utilização abusiva do espaço público, quer com a instalação de esplanadas não autorizadas quer com exposição de produtos sem o devido licenciamento e, frequentemente, sem acautelar a sua higienização.
São situações que os bracarenses constatam diariamente, sendo certo que alguns sentem os efeitos nefastos com maior intensidade porque residem ou laboram em zonas da cidade em que tais problemas se verificam com maior frequência.
Mas apesar de Ricardo Rio e a sua equipa terem plena consciência dos incómodos que a população sofre, até pelas constantes queixas, a verdade é que as medidas que se justificam para a resolução dos problemas tardam a ser tomadas. Até quando, é a pergunta que se impõe.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.