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Mais vale tarde que nunca

Decisões que marcam

Mais vale tarde que nunca

Ideias

2021-02-09 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

AAGERE implementou há meses um novo sistema de recolha de resíduos sólidos urbanos, com o qual encerrou o ciclo tradicional de recolha porta-a-porta. Agora, porém, está a equacionar novo investimento, desta vez visando a separação e recolha dos resíduos orgânicos.
O sistema presentemente em vigor correspondeu a um investimento da ordem dos oito milhões de euros, sendo certo que a maior fatia dessa verba se destinou à aquisição de modernos contentores e viaturas específicas para recolha de resíduos e lavagem dos novos recipientes. Na altura, o presidente da empresa cujo capital é maioritariamente detido pelo município, disse que “o investimento realizado coloca o concelho de Braga na vanguarda internacional da recolha de resíduos”, ao mesmo tempo que possibilitava também “melhorar a eficiência e a qualidade do serviço”.
É um facto que o tal sistema, largamente publicitado como inovador e único em Portugal, foi determinante para a modernização do processo de recolha de resíduos sólidos. Também é verdade que da sua implementação resultaram benefícios para o meio ambiente e para a saúde pública. Porém, a julgar pelas constantes reclamações – e pelas constatações que podem ser feitas quase diariamente -, ainda haverá um longo caminho a percorrer, em particular no que toca à periodicidade da recolha e da limpeza dos contentores…
Parece óbvio que o elevado número de protestos denota alguma insatisfação e, nessa medida, justifica uma reavaliação do sistema tendo em vista uma eventual correcção de anomalias e consequente melhoria do serviço que é prestado aos munícipes. Creio que não haverá outro caminho a seguir, principalmente se os responsáveis estiverem seriamente empenhados no escrupuloso cumprimento da missão da empresa. Ou seja, se estiverem dispostos a prestar os serviços que lhe estão estatutária e legalmente incumbidos, e com a qualidade que corresponda às expectativas dos clientes - os munícipes bracarenses. E este aspecto não será de somenos importância, adquirindo até outra relevância quando se percepciona que o sucesso da nova etapa do processo de recolha de resíduos dependerá em grande parte do grau de sensibilização da população para nele se envolver.
Refiro-me, concretamente, à obrigatoriedade legal de todo o território nacional ter de assegurar, a partir de 31 de dezembro de 2023, a separação e reciclagem dos bio-resíduos na origem ou através de recolha selectiva. Uma medida que decorre de directiva comunitária e que, aliás, já se encontra em curso em vários municípios portugueses.
Aquando da discussão e aprovação do tarifário da AGERE para o ano corrente, o presidente da empresa reconheceu o quão determinante será o envolvimento da população para se atingir a excelência nos resultados finais de todo o processo. “O investimento que vamos fazer em baixa será sobretudo na sensibilização da população para a separação dos resíduos orgânicos, com acções porta-a-porta, e também com a oferta de sacos para recolha desse lixo orgânico”, prometeu na altura Rui Morais.
Desenhar e colocar no terreno, nos próximos três anos, um novo sistema de recolha selectiva dirigida para os bio-resíduos constitui um enorme desafio para os municípios e sistemas de gestão de resíduos portugueses. É uma autêntica corrida contra o tempo que nos é imposta pela União Europeia, corrida para a qual, em boa verdade, partimos com algum atraso pois o sistema já deveria estar no terreno desde há muito. Afinal, não podemos esquecer-nos que estamos a falar de cerca de 40 por cento da totalidade dos resíduos sólidos domésticos. É bom que nos consciencializemos do que está em causa. E o que está em causa é uma quantidade apreciável de resíduos orgânicos, os quais, considerando os compromissos da economia circular, não podem nem devem ser desaproveitados.
Também por essa razão se torna cada vez mais óbvia a necessidade de nos comprometermos com os desafios que a sustentabilidade a todos coloca. Aliás, estou plenamente convicto que a pandemia que nos está a flagelar trouxe, ela própria, um forte reforço à ideia de cumprimento das regras dos três R, ou seja, reduzir, reutilizar e reciclar.
Compreender-se-á melhor, assim, a importância do contributo, embora um tanto ou quanto tardio, desta iniciativa da AGERE para a circularidade e, consequentemente, para a melhoria dos indicadores de desenvolvimento sustentável que lhe estão naturalmente associados.
A selecção e recolha dos resíduos orgânicos constitui, pois, uma excelente medida, mas é conveniente que a ideia não seja condenada ao insucesso logo à nascença. Ou seja, depois do avanço experimentado, não podemos regredir, voltando a colocar os sacos na rua. A solução poderá passar pela utilização de contentores dedicados, evitando-se assim qualquer hipótese de contaminação com outros resíduos, a qual poderá ocorrer com a ruptura dos sacos. Dessa forma, estou certo que aumentará a quantidade de resíduos orgânicos a serem reciclados, e facilitará o processo de transformação dos mesmos. Vamos meter mãos à obra?

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