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Mais verbos traiçoeiros

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Mais verbos traiçoeiros

Escreve quem sabe

2020-09-13 às 06h00

Cristina Fontes Cristina Fontes

No último artigo antes das férias, falamos do verbo “haver” e do verbo “faltar”. Hoje, trago mais alguns verbos a que temos de prestar atenção.
O verbo “fazer”, quando aplicado com sentido de tempo decorrido, é impessoal, isto é, o sujeito é nulo. Só se conjuga na 3.ª pessoa do singular. É errado dizermos “Fazem dois meses que não vou ao cinema”, apesar de “dois meses” ser plural. Deveremos usar o singular “Faz dois meses que não vou ao cinema”.
Também o verbo “passar” segue esta regra se for usado como impessoal. Não devemos dizer “Já passavam das três da tarde quando o teste terminou”, mas sim, “Já passava das três da tarde quando o teste terminou”.
O verbo “tratar”, conjugado pronominalmente e seguido da preposição “de” também deve ser conjugado no singular (ex.: Trata-se de dois projetos interessantes. / *Tratam-se de dois projetos interessantes.).
Há verbos (defetivos pessoais) que se usam só em alguns tempos e pessoas, por serem de desagradável pronúncia. Só se empregam as formas em que subsiste o “i” final da vogal temática (a vogal antes do “r” do infinitivo – am(a)r, sab(e)r, r(i)r).
São eles: “abolir”, “colorir”, “extorquir”, “falir”, “florir”, “retorquir”. Nenhum destes verbos tem as formas do presente do conjuntivo. As formas possíveis do presente do indicativo são as seguintes: Abolir: abolimos, abolis; Colorir: colorimos, coloris; Extorquir: extorquimos, extorquis; Falir: falimos, falis; Florir: florimos, floris; Retorquir: retorquimos, retorquis.
O que fazer nestes casos? Substituir por um verbo sinónimo ou construir a frase de forma diferente (ex.: Suprimi o uso do papel nos meus apontamentos pessoais; Vou abolir o uso do papel nos meus apontamentos pessoais; Abolindo o papel, contribuo para a proteção das florestas; A abolição do papel permitirá salvar algumas árvores).
Chamo a vossa atenção para uma excelente crónica de Ricardo Araújo Pereira, intitulada “Esperança Gramatical" e publicada na revista Visão, que, de uma maneira divertida, refere a especificidade do verbo “falir” (pode consultar a crónica aqui: https://bit.ly/3mcgpAN)
Quanto aos verbos defetivos unipessoais, que representam vozes de animais, são utilizados apenas na 3.ª pessoa do singular e do plural (ex.: o cão ladra. / os cães ladram; o cavalo relincha. / os cavalos relincham; a rã coaxa. / as rãs coaxam), salvo quando usados em sentido figurado (ex.: Se me insultam no trânsito, rosno impropérios sem piedade.).
Os verbos defetivos impessoais apresentam um sujeito nulo, pelo que apenas se conjugam na 3. ª pessoa do singular, salvo quando usados em sentido figurado (ex.: Minha mãe diz que trovejo,/ solto ventos e relâmpagos – poema de Elias José). Regra geral, estes verbos exprimem fenómenos atmosféricos: amanhecer (ex: amanheceu às 6h), chover (ex: choveu muito esta noite), nevar (ex: neva no inverno), trovejar (ex: trovejou ontem?), relampejar, etc.
Bom domingo.

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