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Marcas da vida

A Galileu

Marcas da vida

Escreve quem sabe

2020-05-17 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

A vida marca. Marca, pelos sítios onde fomos felizes. Marca, pelos lugares onde a tristeza nos definiu enquanto pessoa. Marca, pelas pessoas com as quais nos relacionamos. Relacionamento, que não se restringe ao contacto familiar. Uma interação que passa muitas vezes pela convivência com os/as amigos/as, colegas de trabalho e até desconhecidos/as, que nos interpelam ao acaso numa conversa informal acerca do “estado do tempo”.
Quer queiramos, quer não, ninguém “se cruza ao acaso” e todas as pessoas com as quais convivemos dão o seu contributo, muito ou pouco, que acaba por influenciar a personalidade. Neste sentido, a personalidade é nada mais nada menos, que a soma de pequenas partes que se compõem entre si numa espécie de “resultado final”, fruto do contato de outras pessoas que causam impacto na nossa vida. Talvez a resposta de entre muitas, seja o facto de que passámos muito tempo, com um grupo de pessoas em particular, por mais que sejamos sociáveis e que se goste de conhecer pessoas novas. As marcas surgem de todos os lados e para todas as direções. Repare que para além da sua família, tem certamente colegas de trabalho que são igualmente significativos para si e com os quais gostam particularmente de estar. Embora se possa pertencer a uma empresa com uma grande número de colaboradores, ter-se-á sempre um contacto mais próximo com “meia dúzia”.

Cada pessoal igualmente, tem o seu grupo social de amizades com quem descontrai nos tempos livres. Não nos conseguimos esquecer nunca daquele que foi um bom empregador ( boa direção laboral) , porque proporcionou um bem-estar emocional dentro da empresa.
Por outro lado, também, se durante um fase da sua vida, se viu a trabalhar com um ambiente laboral péssimo entre colegas, também não o esquecerá marcando certamente a sua personalidade pelo que viu, ouviu e presenciou. Todas as experiências, apesar de intensas do ponto de vista emocional, permite a cada pessoa, ganhar competências. A conivência num determinado grupo é a fusão de valores e comportamentos ao mesmo. Acabamos por nos moldar de forma até inconsciente (sem que realmente nos apercebamos) a atitudes, a pontos de vista a opiniões, etc., em determinado meio social ou profissional no qual estamos inseridos. Todavia, há quem se mantenha fiel a si próprio na forma de traço pessoal de rebeldia. Nenhum contexto, que não aquele que não sinta como seu, muda as suas convicções. Há porém aqueles que, por vezes, deixam fluir no sentido em que o tempo trará respostas, como o medo de tomar decisões que não possam ser as mais acertadas. Pessoas, mas cada qual com um registo único de personalidade. Ninguém é igual. Talvez o mistério que encobre uma personalidade seja ao mesmo tempo fascinante como enigmático.

Um mistério que desejaríamos saber as diretrizes e coordenadas. Não é de todo possível, mas em contrapartida, o comportamento de cada um, “dá sinais”. Por vezes, o nosso contato primário ( a primeira impressão) faz com consigamos tirar uma opinião acerca da pessoa que esta diante de nós. Todavia essa mesma impressão pode não estar correta e, nesse sentido, o “o que pode ser, pode não o ser” e acabámos por perder grandes oportunidades. Uma pessoa que deduzimos como agressiva, pode ser a primeira pessoa “na linha da frente” que se destaque e tome a iniciativa de ajudar alguém. Alguém calado ou tímido, ensina-nos que “menos é mais” (nem sempre se pode dizer tudo). Ensina a arte de observar e o prestar atenção aos detalhes do “outro”. Quantas vezes também o/a “demasiado expansivo/a” (aquele/a que fala para todos e a sua maior felicidade é estar em contacto e rodeado/a de pessoas) não é mal interpretado/a? Mas conhecer alguém assim com esta característica é a possibilidade de aprender que respeitar, não julgar, não ter estereótipos e saber lidar com outras personalidades diferente da sua, é o caminho para o sucesso pessoal e profissional.
Somos diferentes, de personalidades inacabadas, em que fazemos sentido sempre na vida de alguém. As marcas são sinal de vida, das pessoas que contribuem para o nosso crescimento pessoal.

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