Correio do Minho

Braga, terça-feira

Março - um mês de significativas comemorações

Desprezar a Identidade, Comprometer o Futuro

Voz às Escolas

2015-03-23 às 06h00

Maria da Graça Moura

É uma característica do ser humano fazer rituais comemorativos e celebrar datas significativas em várias dimensões da vida. Lembrar um luto, uma luta, um momento especial, um aniversário, um facto histórico. Temos uma grande tradição cultural de homenagear pessoas e recordar, periodicamente, situações marcantes. São datas que vão pautando as nossas vidas, tornando-se parte da rotina das pessoas. É assim com datas históricas e patrióticas, afetivas, festivas e religiosas, simbólicas, culturais, que marcam eventos naturais e de homenagem.

O mês de março é rico em comemorações muito significativas. Entre outras, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, para recordar as conquistas das mulheres e a luta contra o preconceito, seja social, racial, sexual, político, cultural, linguístico ou económico.

O Dia do Pai como forma de valorizar social e politicamente o conceito nuclear de família como uma unidade fundamental. O Dia da Árvore, da Floresta, da Poesia e da Primavera, a estação do ano que nos carrega de energia pela luz e colorido que contrasta com o escuro e nublado inverno. O Dia Mundial da Água, um bem precioso que merece esta insistência, este alerta, pela responsabilidade que é de todos, no respeito pelo seu uso e preservação para as futuras gerações. O Dia Mundial do Teatro para homenagear, um pouco por todo o mundo, as artes do espetáculo.

Comemorar significa, portanto, trazer à memória, convocar à lembrança feitos carregados de valor simbólico, que marcam a história individual ou coletiva. Mas, comemorar também significa indagar sobre o sentido político, social, pedagógico ou humanista do que estamos a evocar. Implica questionar, de modo crítico e reflexivo o assunto, localizá-lo nos diferentes tempos e contextos, sem abrir mão da memória coletiva que tanto pode recordar lutas, conquistas e derrotas como produzir esquecimentos, silêncios ou omissões.

A escola, defendendo que faz sentido comemorar algumas datas, tem obrigação pedagógica e cívica de ter sobre elas uma visão crítica, de modo a sensibilizar os alunos para a mudança de comportamentos, atitudes e condutas que ajudem a tornar o mundo melhor. A sociedade atual precisa de um olhar crítico e reflexivo sobre o consumo, os direitos humanos, a família, a religião, a mulher, a criança, a sustentabilidade do planeta.

O importante é entender que a escola é, sim, lugar de comemoração, mas uma comemoração inclusiva, consciente, transformadora… É urgente envolver os alunos na construção de um mundo onde homens e mulheres tenham os mesmos direitos, as mesmas obrigações, as mesmas oportunidades, as mesmas responsabilidades. Um mundo sem discriminações, que cumpra com os direitos humanos e respeite os benefícios da diversidade. Há ganhos na qualidade social da escola se diariamente concretizarmos ações afirmativas de intervenção e de transformação, a partir de processos partilhados e reflexivos.

É importante que as escolas respondam aos desafios de intervenção através de estratégias de ação pedagógica com o objetivo de ser cada vez melhor aquilo que nos propomos concretizar. Só assim cumprimos a nossa função de formar para transformar, de transformar para qualificar, de qualificar para valorizar!

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