Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Martin Parker esteve na cidade

Beco sem saída

Ideias

2015-06-12 às 06h00

João Ribeiro Mendes João Ribeiro Mendes

No passado dia 29 de maio realizou-se na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho a edição de 2015 do Seminário do Doutoramento em Ciências Empresariais - um programa de estudos de terceiro ciclo altamente internacionalizado, com estudantes provenientes de quatro continentes, África, América (do Sul), Ásia e Europa e com formações bastante diversas, nomeadamente em engenharia, sociologia e psicologia, assim como, obviamente, em gestão e áreas afins - dedicado aos chamados Estudos Críticos de Gestão.

Há que saudar a anterior e atual direções do curso doutoral, organizadoras do evento, não somente pelo arrojo na escolha da temática do evento, dado que os ECdG são encarados como marginais no âmbito das Ciências da Organização, mas também por ter conseguido trazer a Braga um dos nomes destacados na área, Martin Parker, professor da Universidade de Leicester (Reino Unido), que, no final da manhã, apresentou a revista da especialidade de que é editor-chefe, Organization e descontraidamente falou sobre como lidar com a rejeição de trabalhos submetidos para publicação em periódicos científicos, e depois de almoço proferiu a palestra com o sugestivo título “O que é que as Escolas de gestão podem aprender com o Robim dos Bosques?”.

Embora os ECdG não possuam ainda o reconhecimento académico com a amplitude que merecem, a sua influência faz-se sentir crescentemente e constituem, valendo-me da feliz metáfora cunhada pelo historiador das ciências estadunidense Peter Galison, uma “zona de intercâmbio”, um lugar onde um frutuoso diálogo entre filósofos e estudiosos das organizações se tem vindo a consolidar e aprofundar.

Grande número dos que se têm dedicado aos ECdG conhece (e realimenta) um mito fundacional a seu respeito: que foi no Reino Unido, na década de 1980, em plena era Thatcher, que eles surgiram, resultando da expansão global de escolas de gestão e do simultâneo desinvestimento governamental na área das ciências sociais que fez com que académicos com formação nesta última se transferissem para as primeiras. No entanto, a data mais frequentemente usada para estabelecer a sua criação oficial é a de 1992, ano em que Mats Alvesson e Hugh Willmott editaram conjuntamente a coletânea Critical Management Studies.

As organizações (empresas, universidades, etc.), como sustentaram Herbert Simon e James March, expandem as capacidades humanas. Todavia, argumenta Martin Parker e boa parte dos que trabalham em ECdG, muito sob a influência da chamada Teoria Crítica da Escola de Frankfurt e de filósofos como Michel Foucault e Gilles Deleuze, elas funcionam também como dispositivos de poder e controlo ou “máquinas disciplinares”.

E eis que é esse, quiçá, o principal objetivo dos EcG: analisar e criticar as estruturas e relações de poder (fortemente assimétricas) dentro das organizações. Na verdade, como reivindicam alguns, eles estão acometidos não somente de uma dupla tarefa crítica negativa: denunciar as práticas de gestão empresarial preponderantes como opressivas e exploradoras e a corrente dominante dos estudos de gestão como subserviente de interesses corporativos, mas também de uma dupla tarefa crítica positiva: buscar formas de gestão mais participadas e democráticas, assim como métodos de pesquisa e perspetivas teóricas menos falsamente objetivos e ideologicamente comprometidos que os das atuais imperantes abordagens positivistas e funcionalistas.

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