Correio do Minho

Braga,

Methamorphose

Antecedentes… (parte II)

Conta o Leitor

2018-07-02 às 06h00

Escritor

Autor: Cláudia Catarina Graça

Dançava como uma fada e trazia consigo uma mensagem etérea e frágil. Monarca, com uma vida curta vislumbrava a sua morte como uma transformação. O seu azul transmitia harmonia e serenidade e simbolizava para quem a observava, o céu e o infinito. Era a rainha do seu reino, uma dama num tabuleiro de xadrez, que pautava a sua vida pela força do destino.
O seu território era bem definido, com regras de vassalagem e praticamente impenetrável. Com uma armada invencível, composta por uma frota de navios, de grandes dimensões, armados com canhões de duas balas, Afrodite frustrava os planos de invasão dos seus inimigos derrotando-os. Escritos relatavam que a sua frota estancava e neutralizava o inimigo sem piedade. Todos a seguiam religiosamente e festejavam ano após ano, as vitórias e os tesouros pilhados.
Sua mãe chamou-lhe Afrodite, pois quando olhou pela primeira vez para ela, foi como se estivesse diante de uma antecâmera celestial. Subiu ao trono, pois não havia naquele reinado filhos homem e teve os melhores ensinamentos. Cresceu ouvindo falar de Aristóteles, Maquiavel, Júlio César, Leónidas e Alexandre o Grande. Curiosamente, uma instrução baseada em homens, que ficaram conhecidos pelos seus renomados e ilustres feitos.
Com nome de deusa, nasceu com a leveza de uma borboleta e a força de guerreiros imortais, mas assombrada por um mito. Não poderia nunca sofrer da fraqueza do amor. No dia, em que esta a atingisse funcionaria como uma flecha envenenada e toda a sua invencibilidade acabaria.
Travou grandes batalhas, como as que Homero relatou e venceu-as, até que um dia, se deparou com a que viria a ser a sua maior batalha!
Longe da costa, com a sua tripulação e galeão invencíveis, aproximou-se uma tempestade, e com o mar revolto a pressagiar desgosto, a sua frota é engolida e salva pelo seu maior inimigo. Ora, ser salva pelo inimigo colocou – a perante um grande dilema.
Acordou mar adentro, e de relance via a bandeira negra, com duas espadas cruzadas, uma caveira e um pirata que a olhava pacientemente. Alto e atrativo, vestia um casaco de mercador rico, um chapéu com uma pena vermelha e usava um diamante cruzado segurado por uma corrente de ouro em volta do pescoço. O pirata inebriado pela subtileza de Afrodite não fez dela prisioneira, mas sim convidada. Os deuses estavam a oferecer-lhe uma seta envenenada de uma poção de amor. Idêntica a uma forma mítica de beberagem, os dias, as horas em alto mar, naquele barco inimigo, provocaram-lhe sentimentos que lhe distorceram os pensamentos e lhe profanaram as ideias, como se tivesse bebido um jarro de hipómanes e o mundo se resumisse aquele barco e ao seu pirata!
Travou então a sua maior batalha e a única que não conseguiria vencer!
Pegou numa pena e num papiro amarelado, humedecido pela constante maresia, que teimava em acelerar a corrosão de tudo o que naquele navio habitava, e escreveu uma espécie de um diário de bordo. Rasgos de gestos maternais da sua infância ludibriavam a sua mente, e levavam- na, a alterar o percurso que até ali tinha traçado com tanta firmeza. Já tinha visto tudo, vivido tudo com uma grandeza de guerreiro, mas não conhecia o amor! Estava agora perante o xeque – mate e teria que forçar e permitir, que o seu oponente a capturasse.
Assim, para fazer jus ao seu nome, e como se de um conto de fadas se tratasse, decidiu, sem hesitações, deixar-se punir brilhantemente para segurança do seu rei, e ficar na história como a rainha se colocou em vantagem estratégica para perder em prol do amor!
Reza a lenda que ficou conhecida por Afrodite, a rainha dos mares que sofreu a metamorphose inigualável do amor! Os seus tesouros afundados no mar iluminavam e ofuscavam agora, o navio, onde os dois maiores guerreiros da época escolheram viver uma riqueza maior!

Dedicado ao Manifesto do Amor e a ti

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