Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Montanhas de Amor

A recuperação das aprendizagens

Conta o Leitor

2021-07-28 às 06h00

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Texto Eduardo de Castro

Talasnal é xisto. É beleza. É turismo. É moda. Todos os caminhos nos últimos tempos têm uma corrente forte para desaguar nas terras do Xisto. É a pandemia que nos manda para lugares mais isolados, mais naturais, mais calmos.?Mas no fundo toda a confusão ali chega. Todos procuram o mesmo. E no Talasnal acaba numa rua sem saída. Juvenal e Catarina não fogem à regra e sempre que podem lá vão conhecer uma entre dúzias de aldeias do Xisto. Está na moda ponto final. Faça chuva ou faça sol lá vão todos percorrer a serra da Lousã e as outras que bem perto ficam. Mas não é só turismo para ver as casas de Xisto. É també o turismo de habitação, os restaurantes, as tasquinhas, os cafés... tudo entre ruelas estreitas e caminhadas por becos. Numa ou noutra casa lá aparece um terraço, uma varanda, uma mesa e algumas cadeiras. Até jacuzzi aos olhos de todos. Sim, e ao lado uma mesa de refeições e janelas meias abertas à vista de todos. Aos olhos dos curiosos que espreitam a ver se conseguem vislumbrar novidades sensuais ou outra coisa qualquer. Curiosos e a importunar quem ali está de repouso quando um ‘focinho’ entra dentro da janela e quem lá está dentro apanha um susto dos diabos.

Talasnal é das mais conhecidas. A construção continua. O xisto nunca mais acaba. Mas está tudo cheio. Não há dormidas. É a moda. Tudo acontece no Talas- nal. Onde reina a natureza e onde se lê que “descobrir esta aldeia representa mergulhar no mundo mágico da serra da Lousã e embrenhar-se numa vegetação luxuriante por onde espreitam veados, corços, javalis e muitas outras espécies.”
Mas o Juvenal e a Catarina não os viram. Os animais. Também não andaram pelos montes e vales. Só nas ruelas das casas de xisto. Das aldeias de Xisto. Tudo no centro da país e onde se entra ao fim-de-semana sem exigir teste covid. Ali tudo é puro. É turismo puro onde as bicicletas e as caminhadas embalam e fazem parar os carros no meio da natureza. E o Chiqueiro fica perto, a apenas quilómetro e meio. Chiqueiro é feito a caminhar.

Mas Juvenal e Catarina escolheram mal o dia. Estava frio e estava chuva. Logo as duas coisas ao mesmo tempo. E os dois juntos faziam com que se tivesse de ter muito cuidado a andar. Caso contrário, lá vai um tombo, daqueles que doem. Era ainda cedo e cedo se trabalhava naquela aldeia de xisto. O Curral tinha os primeiros fregueses e ainda cozia o pão do dia. Os primeiros cafés eram servidos. No Retalhinho ainda não havia fregueses mas já se preparava o almoço. Ouvia-se telefonia num rádio antigo e que ainda demorava a aquecer para dar as primeiras melodias do dia. Mas o café já se servia. Bem quente. E cheio. E a acompanhar um bolito de castanha. É ali e só ali que se come. Uma verdadeira especialidade da casa. E muito bom. Os quartos ali perto estão cheio mas depois do fim-de-semana começa tudo a ficar vazio e à espera do regresso de mais um fim-de-semana intenso mas com sol. Com bom tempo. Pouco húmido e mais seco.

Ali há gente que se amontoa nas vielas e becos. Há quem faça marcha atrás porque não consegue passar lado a lado. No Talasnal há um beco sem saída. Um autêntico labirinto de coisas boas e histórias que se poderiam contar se ainda existissem habitantes residentes. Ali, se existir um ou dois, já é muito. Mas são os novos.?Os com mais idade já se foram. E agora são os mais jovens que reconstroem para se dedicarem ao turismo. “Aquilo está a dar”, dizem. E dizem bem porque são aos milhares os que galgam serra da Lousã fora. Até há um ou outro ‘tuk tuk’ serra acima, serra abaixo. E boas iguarias nas Montanhas do Amor. Sim porque nada é deixado ao acaso. Tudo é pensado ao segundo, tudo é bem aproveitado. Fazer turismo também é isso: ter tudo no devido sítio. E até os anúncios antigos enchem as casas juntamente com licores de outros tempos ou vinhos de sabores fabulosos. E por isso, dizia há muitos anos o ‘ditado’ publicitário, “não espere pelo momento perfeito. Aproveite o momento e faça-o perfeito, saboreando um licor Beirão”. É isso. A arte, a história, os bons momentos. Tudo junto com uma vista fabulosa para a natureza. E tudo ali é vida e cor. ‘Isto é Lousã’, dizem. E por ali ficaram uns dias, Juvenal e Catarina. Ao sabor do amor transmitido pelas montanhas e ao amor que os uniu naquela serra. Mas ali, ou em qualquer lugar, é Portugal. E Portugal é lindo... a começar por Braga!

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