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Montenegro & Soares, Representações Ldª

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Montenegro & Soares, Representações Ldª

Ideias

2023-09-17 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Pouso repetidamente o olhar em aviso de que nunca percebi realmente o sentido: «Montra em Recomposição». Reparo eu, como muito quem passe e a vista lhe vagueie, retendo a nota, menos o recheio atrás de vidraça que abra para a via pública.
Tabuleta que resta, quanto igual a si permaneça o arranjo de miudezas de pouco apelo. Terá o bazar a sua clientela, ou nem tanto; não chegará o apuro para os gastos, salvo se a chafarrica pertença aos próprios, e o nome comercial persista por um imobilismo sem trespasse, porque abra a boca quem a detém, logo que sangue novo e artigo mais na moda tente a chance.
Estou como quem vê a sociedade Montenegro & Soares de letreiro, desenhado porventura a letra simpática, porque legível apenas sob certas condições, mas de sentido que os próprios e acólitos cotem como antipática, o que de todo não me aflige. Não tem a Montenegro & Soares artigo ou reclame que faça frente aos barateiros do lado, ou que é que constata quem os surpreenda em momento televisionado? Discurso monocórdico, elocução que não inflama, carisma que nem a equivalente de detector de metais liberta um bip que desperte intelecto e infunda emoção.
Ouvindo-os, quem dirá: «São eles!», pensando em próximo elenco governativo? Não têm letra, não têm música, não têm coreografia, não são solistas, nem justificam senão a quarta fila de coro, e isto com a condescendência do maestro, em atenção ao efeito benéfico que exerçam involuntariamente em intérprete com algum talento, mas com deficit de auto-estima.
Porque tem a sociedade Montenegro & Soares que varejar ante ventanias de Ventura? Apenas porque nada de sério e bem embrulhado avancem para envergonhar o propagandista do Costa. Não têm os sócios quem lhes explique que a seriedade não é sensaboria? Não têm quem lhes mostre a diferença abissal entre uma sopa de robot de cozinha e um caldo saliente de couves, com troços delidos e feijão a encher a boca, mais uns ossitos ou toras de toucinho?
Talvez ninguém lhes mostre o que eles não queiram ver, o que eles não saberiam ver, porque não lhes chegue a sensibilidade ao genuíno, porque não lhes chegue o arroubo para imaginar para lá de amanhã. Porque não lhes chegue, enfim, a ambição para elevar um povo.
Talvez não lhes chegue horizonte para se insurgirem contra o liberalismo que produz uma náusea contrária a progresso postiço de pregão. Fazer oposição a Costa implica ter verbo para criticar o destempero de vinte e tal anos de moeda única, de prepotências de quem nada sofre com o que determina que se faça. E implica, em complemento, uma mundividência que comparação não tenha com os abrires de boca de basbaque.
Alargamento? Se fosse eu a dizê-lo corriam-me a chuto. Sendo a Úrsula é determinação. Lampedusa: cento e tal mil neste ano? Quem vive em negação? Ou seremos todos xenófobos? E a energia, e os combustíveis, e a inflação? Quem monta o puzzle ao contrário?
Sociedade sem mercadoria, sem cotação, sem clientela. Seriam eles, porque chegada a hora, mas o problema é que não têm discurso por alma própria, e nem espaço farão para que apareça. Seriam eles, se lhes víssemos respaldo que nos confortasse. Seriam eles, se percebêssemos como melhor andariam, para pavor do partido mais à direita de esquerda caduca.
Entretanto, com que plataforma se apresentarão a urnas no próximo pleito europeu? Eleição que nunca é especialmente favorável a quem esteja em governo, mas que o duo de montra em recomposição suspeita que não ganhe. Manequins que um destes dias aparecerão na Feira da Ladra, ou na tal fila, com uma sinecura, para que não macem.

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