Correio do Minho

Braga, terça-feira

Mudar de Escola

O seu a seu dono!

Escreve quem sabe

2012-09-09 às 06h00

Joana Silva

O início do ano lectivo envolve sempre muitas expectativas, seja por parte das crianças, seja pelos pais, sobretudo aquando de uma mudança de instituição escolar. A mudança de escola pode dever-se a vários factores, desde proximidade geográfica da residência, situação económica dos pais ou prestigio da instituição escolar.

Uma boa transição ou a adaptação de escola, depende muito da personalidade de cada criança. Se algumas crianças encaram a nova fase como positiva, a oportunidade de fazer novos amigos, explorar novas matérias ou áreas, interagir com novos professores, outras crianças podem sentir ansiedade por “deixar para trás” os amigos ou até mesmo o método de ensino do antigo professor. Há também quem pense, que entre crianças introvertidas ou extrovertidas, serão as introvertidas à partida mais tendenciosas a sofrer com a mudança. Errado. Pois não é pelo facto de determinada criança ser mais extrovertida que não poderá sentir insegurança ou medo perante a nova fase desconhecida.

Todavia também não são só as crianças que sofrem com a mudança e a adaptação à escola, os pais também ficam ansiosos e inseguros com o novo ciclo. Interrogam-se frequentemente se a decisão tomada foi a acertada. Tal como os filhos, podem também sofrer por antecipação, isto é sofrer prematuramente perante situações que ainda não ocorreram e que até podem nunca vir a acontecer.

Exemplificando, assustam-se e amedrontam-se ao pensarem que o filho possa, talvez, não conseguir fazer amizades, que este não se integre no ambiente escolar, receiam que o rendimento escolar possa diminuir, que o não consiga amoldar aos métodos dos novos professores, receiam que não se alimente convenientemente na cantina da escola entre outras possíveis situações. Ora os filhos sentem também a insegurança dos pais por isso é que importante que os mesmos mostrem optimismo, confiança e motivação face à nova fase.

Para que os efeitos deste ciclo possa ser minimizados, os pais devem conversar com os filhos das vantagens da nova escola, devendo-se ter em atenção sempre o discurso. Mais concretamente, ter-se atenção ao que se diz à criança, porque por vezes são empregadas expressões, como por exemplo, “ Tem cuidado”, “Não faças isto”, “Presta a atenção” que tem efeito oposto ao pretendido ao objectivo, isto é, a autonomia da mesma.

Devido à separação e à perda dos amigos da antiga escola podem ocorrer algumas reações como o choro, alguns comportamentos agressivos, manifestações de caracter fisiológico como falta de apetite, dores de barriga ou até náuseas que à medida que a criança se adapta ao novo ambiente desaparecem. Ainda assim se os sintomas persistirem ao longo do tempo, será talvez necessário acompanhamento especializado. Não menos importante, sempre que a criança exteriorizar os seus medos e receios, e evitar atitudes, gestos ou expressões verbais menos tolerantes, do tipo “Já és crescidinho, não és nenhum bebé”, pois se não tem o apoio e compreensão dos pais, de quem terá então?! De lembrar que para os filhos os pais são sempre os modelos a seguir. Cada criança tem o seu timing, umas adaptam-se mais rapidamente outras mais tarde, no entanto, se porventura não se efectivar nunca a adaptação deverá analisar se a escola está a corresponder às necessidades e expectativas do seu filho.

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