Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Como sonhar um negócio

Ideias Políticas

2012-11-27 às 06h00

Carlos Almeida

Na semana em que ficamos a conhecer o candidato que o Partido Socialista escolheu para substituir Mesquita Machado na Presidência da Câmara de Braga, ficamos também a saber, em consequência disso, que os candidatos já conhecidos às eleições autárquicas de 2013 são uma inegável representação do que de pior tem marcado Braga nos últimos anos.

A recém-anunciada candidatura de Vítor Sousa à Câmara de Braga vem confirmar a aposta do Partido Socialista na continuidade de um projecto político vicioso, cujo principal responsável ao longo de mais de 35 anos foi Mesquita Machado. Porém, não é demais recordar os mais distraídos que esse projecto político tem também a mão de Vítor Sousa, não só pelo facto de ser actualmente vice-Presidente do município, mas porque no passado, antes da sua passagem pela administração da TUB, assumiu várias responsabilidades na vereação. Vítor Sousa é, portanto, uma espécie de tentáculo de Mesquita Machado que, não podendo candidatar-se, quer deixar no seu lugar, na falta da solução com que sempre sonhou, o homem do “aparelho socialista” em Braga.

Será Vítor Sousa o Presidente de Câmara que Braga precisa? Definitivamente, não! E não o é porque incorpora na sua totalidade a prática e a gestão municipal a que o PS nos tem habituado em Braga. Uma gestão caduca, envolta em polémicas, carregada de suspeitas. Uma gestão que nunca soube ter como prioridade o bem comum dos cidadãos e, pelo contrário, nunca hesitou no momento de estender a mão a certos empreiteiros e determinadas imobiliárias.

Na outra ponta do arco do poder, embora no mesmo lado no campo político e ideológico, está Ricardo Rio - a eterna promessa da Coligação de direita. Ricardo Rio surge, neste quadro eleitoral, como o candidato derrotado, depois de duas batalhas perdidas. A Coligação lança assim, na falta de melhor, a mesma cartada que em 2005 e 2009.

Esquece-se porventura que os bracarenses já viram esse jogo e não gostaram. Esquece-se também que os bracarenses têm assistido às suas posições enquanto única força política na oposição com assento na vereação do município. E não será preciso muito esforço para se aperceberem que pouco ou nada distancia Ricardo Rio de Mesquita Machado/Vítor Sousa nas questões fundamentais. Isso mesmo ficou provado quando, em conjunto - PS e Coligação PSD/ CDS/PPM - aprovaram a privatização da Agere. E não adianta agora virem a público criticar o aumento das tarifas, quando são eles próprios os responsáveis por isso.

Da mesma forma, Ricardo Rio e Mesquita Machado/Vítor Sousa souberam unir-se na privatização da Escola Profissional de Braga. E agora o que têm eles a dizer sobre os despedimentos em curso de trabalhadores efectivos da escola?
Não faltam exemplos de comunhão entre a Coligação de direita e o PS, entre os quais, provavelmente, o nebuloso processo de aquisição da antiga fá-brica Confiança é o exemplo mais recente e clarificador. Juntos, Ricardo Rio, Mesquita Ma-chado e Vítor Sousa, são os culpados pelo valor desmedido e descarado que o município vai pagar pelo imóvel, com claro benefício para o proprietário privado.

As diferenças entre eles ficam-se pela conversa, pela retórica nas intervenções. Todos sabemos, por exemplo, que a Coligação ‘Juntos por Braga’, quando defende a redução dos impostos municipais, só o faz porque está na oposição em Braga. Na primeira oportunidade praticariam as mesmas taxas máximas. Basta olharmos para os concelhos vizinhos, onde são poder, ou ainda, para o governo onde o PSD e o CDS são os responsáveis pelo maior assalto fiscal de todos os tempos.

Ricardo Rio e a sua Coligação de direita são pois uma mera oposição dissimulada, consequência do tacticismo com que pretendem ganhar as eleições de 2013.

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