Correio do Minho

Braga, segunda-feira

- +

Na reabertura ao público das Bibliotecas Municipais: continuamos disponíveis

A lampreia na Escola, uma aluna especial!

Na reabertura ao público das Bibliotecas Municipais: continuamos disponíveis

Voz às Bibliotecas

2020-05-07 às 06h00

Victor Pinho Victor Pinho

Portas abertas ao conhecimento, as bibliotecas são dos locais mais frequentados e acessíveis, pelo acesso democrático, livre e gratuito que permitem às suas instalações. Por isso, os seus utilizadores são diversos em nacionalidade, em etnia, em grupo etário, profissional e sexual.

Segundo a “Carta Aberta Bibliotecas:Estamos Disponíveis” dirigida ao Primeiro Ministro, Ministra da Cultura e Presidente do Conselho Directivo da Associação Nacional dos Municípios Portugueses:
“São lugares que combatem o desemprego através do apoio à procura de emprego e da qualificação dos trabalhadores, reduzem os níveis de iliteracia da população, promovem actividades de formação, fomentam a literacia digital, incluindo o apoio assistido na prestação de serviços online por forma a servir melhor o cidadão. São lugares de proximidade e afectividade, que ligam as pessoas, combatem a solidão, estimulam as competências sociais, tornando as comunidades mais coesas. A par com a rede escolar, a rede de serviços de saúde ou os serviços de protecção civil e segurança, estão implementadas em todo o território nacional. São lugares que não podemos dispensar.”

Todavia, e segundo o mesmo documento, “as Bibliotecas têm vindo a ser negligenciadas nas políticas públicas, e praticamente ignoradas no quadro actual das medidas extraordinárias”.
Pela variedade de utilizadores que as frequentam, pelo tipo de documentação que possuem e pela livre circulação que permitem, são dos espaços em que as normas de segurança e sanitárias devem de ser escrupulosamente cumpridas para que se evite a contaminação e a propagação da Covid-19.

Temos que ter consciência, todos, técnicos e utilizadores que nada vai ser como dantes e que temos de nos adaptar às novas condições, com novas regras e comportamentos. O número de leitores que podem entrar e permanecer, os documentos a requisitar e a emprestar, a circulação nos espaços, a forma de atendimento, o tipo de trabalho, tudo isto deverá ser repensado, em contraste com o teletrabalho, a comunicação electrónica e digital e a utilização das redes sociais.

De realçar, a propósito, o excelente documento divulgado pela Direcção Geral do Livro dos Arquivos e das Bibliotecas intitulado “Orientações para as Bibliotecas Públicas sobre o Manuseamento de Documentos face à Pandemia Covid-19”. Tal documento aborda os procedimentos gerais, a higienização dos documentos, a protecção individual, e o Serviço de Empréstimo de Documentos. Responsabiliza ainda os Executivos Municipais, aos quais cabe a tutela das Bibliotecas, pelas decisões a tomar sobre o modo de funcionamento destes serviços, depois de consultada a Autoridade local de Saúde,
Por isso, estes, também, devem ter uma palavra a dizer sobre a reabertura ao público, que foi anunciada pelo governo – sabe-se lá porquê? -, para o dia 4 de Maio, enquanto os museus e outros equipamentos culturais só abrirão no dia 18.

Claro que a grande maioria das bibliotecas não abriu nesse dia, pois não estão garantidas as condições de segurança e sanitárias para o seu funcionamento, não procedendo a reaberturas precipitadas que poderiam significar apenas “mostrar serviço”.
Na reabertura ao público deverão estar garantidas algumas normas de funcionamento. Além das recomendações gerais da Direcção-Geral da Saúde, deve-se: limitar o número de pessoas nos espaços da biblioteca ou na entrada do edifício (regra de ocupação máxima de 0,04 pessoas por metro quadrado de área); manter o distanciamento físico (mínimo de 2 metros); utilizar equipamento de protecção individual, como máscara e luvas

Mas outras medidas de protecção são ainda necessárias: colocação de telas de protecção nos balcões de atendimento e empréstimo; higienização das cadeiras e mesas sempre que um funcionário e um leitor seja substituído por outro.
Também se deve repensar o horário de trabalho, por exemplo o horário por turnos e de abertura ao público, encerrando-se na hora do almoço, e manter em teletrabalho os colaboradores com doenças crónicas e filhos menores.

Relativamente aos leitores, há também que impor regras específicas: só poderão entrar e permanecer na Biblioteca munidos de máscara; deverão também lavar as mãos com álcool ou gel à entrada e à saída; não poderão mexer nos livros, jornais e revistas colocados nas estantes; e qualquer livro, jornal ou revista de que necessitem, deverá ser solicitado ao funcionário.
Sobre o empréstimo de livros: deverá ser alargado o prazo de empréstimo, a requisição de livros poderá ser presencial, por telefone ou por email; os livros a requisitar, serão consultados pelo leitor, no catálogo on-line da Biblioteca e solicitados ao funcionário; e deverão ser colocados num saco de plástico fechado.

Já quanto à devolução de livros: deverão ser colocados dentro de um saco de plástico fechado, com a indicação do nome do leitor que os requisitou e a data; deverão ficar em quarentena por um período de 9 dias; deve-se lavar a parte de fora dos sacos de plástico que transportem os livros com uma solução de álcool.
A nível das publicações periódicas, jornais e revistas, a leitura em formato de papel deverá suspender-se, privilegiando-se a leitura por via electrónica, utilizando-se os Ipad’s.
Tudo isto e muito mais para se garantir o regresso à normalidade possível num futuro incerto e preocupante. Mas acreditamos que “Tudo vai ficar bem!”.
Regressando à Carta Aberta, nesta crise inesperada, “as bibliotecas podem, e têm condições, para participar como agentes activos nos pacotes de estímulo de investimento desenvolvidos pelo Governo no combate à crise, apoiando as populações.”

Por isso, os subscritores propõe, entre outras medidas, que:
“As Bibliotecas devem ser incluídas e valorizadas como agentes na política de recuperação para o sector cultural promovida pelo Ministério da Cultura. Deverá ser definida regulamentação legal para as bibliotecas (Portugal é um dos quatro países da União Europeia que não dispõem de instrumentos legislativos para o sector) que contemple, entre outros aspectos, orientação técnica especializada, serviços e (re)qualificação profissional e critérios rigorosos de admissão à profissão.”

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho