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Ideias Políticas

2012-05-08 às 06h00

Carlos Almeida

Domingo passado com os olhos postos na França e na Grécia. Mais na Grécia, confesso. De França já se esperava o que veio a resultar. Numa corrida a dois, em que os candidatos se apresentaram em trajectórias paralelas, sendo que o castigo a Sarkozy funcionou como facto distintivo, o resultado só podia ser a vitória do candidato do partido socialista, François Hollande.

Ruiu assim, e ainda bem, um dos mais fortes pilares da direita europeia. Só não sabemos se, dos escombros, ressurgirão, ou não, as mesmas fórmulas de austeridade.
A fazer fé nas promessas de Hollande - a criação de 60 mil postos de trabalho, o aumento dos impostos sobre as grandes fortunas, a renegociação do mais recente tratado orçamental europeu e a retirada das tropas francesas do Afeganistão, são alguns exemplos - dar-se-á agora, na França e na Europa, uma viragem política.

A avaliar pelos exemplos passados em que o partido socialista esteve no poder, na França ou em Portugal, será apenas uma mudança de fantoche nas mãos do poder económico. Assim o espera o governo alemão, cujo Ministro dos Negócios Estrangeiros veio já a público pedir a Hollande que “se distancie das promessas eleitorais que o conduziram ao Eliseu”.

Tão grave quanto a ingerência é a falta de vergonha que estes senhores assumem ao assediarem o recém-eleito presidente francês para que não cumpra as promessas que o levaram a conseguir a vitória eleitoral.
Em breve tiraremos a limpo as intenções de François Hollande.

Mas como vos dizia, era a Grécia que me despertava maior interesse. Não só porque os resultados eram mais imprevisíveis, mas porque a Grécia é hoje o centro das atenções da política europeia, fruto da intervenção externa a que está submetida e da consequente agitação social que a caracteriza.
E na Grécia eis que surge um dado revelador do sentimento que percorre os povos da europa: a rejeição da política de austeridade e de recessão económica.

Apesar das avaliações tendenciosas que vamos ouvindo nas televisões e dos malabarismos que alguns procuram fazer, exaltando o resultado num país fingindo não ver o do outro, há uma leitura dos resultados eleitorais gregos que não se pode esconder: a Nova Democracia e o PASOK - os partidos da alternância lá da terra - foram severamente castigados pelos eleitores, perdendo, em conjunto, cerca de 44 pontos percentuais.

Tal resultado - 18,85 % para a ND e 13,18 % para o PASOK - não permite a estes partidos alcançar a maioria absoluta no parlamento grego, o que os deixa com 149 deputados de um total de 300. Sendo que o mais estapafúrdio é o facto de 50 desses 149 deputados serem um bónus que a lei eleitoral na Grécia - berço da democracia (?!) - atribui ao partido mais votado. Não se tratam pois de deputados efectivamente eleitos.

Configura-se assim um cenário que pouco ou nada espelha a vontade de mudança manifestada pelo povo grego nestas eleições.
Para os próximos dias adivinham-se grandes pressões internas, mas também vindas de fora, na tentativa de formação de um governo de “salvação nacional” para que tudo fique na mesma. Não foi, claramente, essa a vontade popular.

As eleições deste domingo foram, isso sim, um sinal de esperança, não naqueles que eventualmente chegaram agora ao poder, mas na luta dos povos, porque dela resultou o combate à austeridade e à política europeia e a ela se deve a tomada de consciência de várias camadas da população. E foi, sem dúvida, a partir da luta dos povos que se começou a construir este o processo de transformação na Europa, que longe de se esgotar nestes actos eleitorais, precisa de continuar a crescer e a afirmar-se como real alternativa ao capitalismo.

À austeridade os povos francês e grego disseram não! Exigindo uma verdadeira mudança de políticas. Vamos ver como correspondem aqueles em quem confiaram o seu voto.

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