Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Natal: tempo de (re)nascer !

‘Tu decides’ e o AE Maximinos move-se pela cidadania

Escreve quem sabe

2014-12-26 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Vivemos o tempo que marca a maior de todas as revoluções: o nascimento do Deus Menino, que nos ensinou que o Amor é o instrumento fundamental desta nova era, mas que também nos fez perceber que a fé se materializava em obras, assim o ilustra o diálogo dos discípulos a caminho de Emaús, com Jesus que não tinham identificado: “E Ele: «Mas que aconteceu?» Eles responderam: «Aquilo que se passou com Jesus de Nazaré que era um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo.»” (Lc 24, 19).

Inevitavelmente este tempos transporta-nos às nossas infâncias. Como sinto saudades daqueles tempos em que construir o presépio era um projeto coletivo da família e, por isso, um projeto de aprendizagem.

Juntavam-se materiais que não faziam falta: papéis velhos que serviam para dar forma aos montes que atapetávamos com musgo viçoso, colhido nos pinhais, o fundo de um velho alguidar, cuidadosamente recortado, serviria de lago para onde jorrava a água de um riacho que corrida de um dos montes, através de um leito feito com as velhas telhas substituídas no telhado, o serrim que o carpinteiro cedia com um sorriso e que, na paisagem deste presépio, recortava os caminhos que que levavam à gruta, ponto central deste imaginário.

A colocação dos figurantes, que todos os anos necessitavam de pequenos retoques e que cada ano ganhavam nova vida, emprestada pelo novo cenário e pelos olhos criativos de criança. Cada um deles era colocado no seu lugar, o pai, com uma explicação, justificava porque lhe parecia que o pastor devia ocupar aquele espaço, que o ferreiro tinha que ficar junto ao caminho, que o pescador ficava junto ao lago, que os reis magos tinham que ficar no enfiamento da estrela que os guiava e, na gruta, o espaço era cuidadosamente estudado para que a humildade requerida tivesse a dignidade necessária.

Olhando para estes presépios da minha infância, cujas imagens apenas sentimos nas nossas retinas, pois não há uma única fotografia de nenhum deles, vejo sobretudo as aprendizagens que fazíamos, numa sala de jantar transformada numa verdadeira oficina, onde aprendíamos a reparar, com gesso, as figuras “acidentadas” e lhe avivávamos as vestes ou a face com tinta, montávamos um sistema de alimentação para que a água, nos momentos importantes, não deixasse de correr no riacho, onde a ocupação dos espaços era um verdadeiro exercício de planeamento, a centralidade da “gruta de Belém” permitia-nos ouvir as histórias sobre a importância do Natal, a justificação para a alegria dos pastores, a viagem dos reis magos e a anunciação do anjo.

Todos os anos, sempre de maneira diferente aprendíamos a conhecer melhor a história da salvação que (re)nascia com o Presépio e os personagens davam-nos pontos de referência para as nossas vidas. Até o vilão do rei Herodes nos ensinava que não devíamos ser maus.
Hoje, o Natal é o tempo de (re)encontrarmos, dentro de nós e ao nosso lado, novas respostas de serviço, marcadas pelo apelo que o Papa Francisco lançou aos jovens, na praia de Copacabana, durante a JMJ do Rio, para serem Revolucionários na Fé. Estou certo que cada um de nós procurará dar às suas vidas uma orientação que nos faça caminhar no Amor e com Amor a Deus e ao Próximo.

Ainda deste ano, na sua visita ao Parlamento Europeu, o papa pediu aos parlamentares, e nas suas pessoas a todos nós, para que: «Na vossa vocação de parlamentares, sois chamados também a uma grande missão, ainda que possa parecer não lucrativa: cuidar da fragilidade dos povos e das pessoas», marcando com uma ideia lapidar, mas muito dura, que esta missão não pode só estar centrada na europa, mas em todo o mundo, quando afirmou: «Não podemos tolerar que o mar Mediterrâneo se torne um grande cemitério. Nas embarcações que chegam diariamente às costas europeias há homens e mulheres que precisam de apoio e de acolhimento».

Finalmente, permitam-me formula votos que, sobre todos vós e as vossas famílias, recaia a bênção da felicidade, expressa pelo dom de dar e de se dar.
Santo Natal e Feliz Ano Novo!

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